Rollemberg doa e fecha postos comunitários de Segurança em Samambaia

SAM GÁS
Dentro do kinder ovo de aço, pintado coincidentemente de marrom por fora e branco por dentro, os acordes inseguros dos estudantes de baixo elétrico ganham uma projeção que a sala de aula de alvenaria não consegue proporcionar. “Aqui tem uma acústica diferente”, observa o professor de música Adonias Alcântara, 48 anos. As aulas são realizadas dentro de um antigo posto comunitário de segurança (PCS), que costumava abrigar policiais militares. O “milagre” da acústica perfeita se deve a um simples fato: os módulos, que custaram em média R$ 150 mil cada aos cofres públicos, foram construídos com isolamento termo-acústico em isopor.
Quinze deles foram doados em dezembro do ano passado à Escola de Música de Brasília e, após algumas adaptações, agora servem como sala de aula e de estudos aos quase três mil alunos de 36 cursos variados, divididos em três turnos diferentes. “O melhor é essa ação cidadã de reaproveitamento do que é público”, diz Edilene Abreu, diretora da escola.
em Samambaia Norte, a ONG Força Nacional de Proteção Ambiental espera, há quatro meses, receber uma autorização formal da PMDF para funcionar no posto comunitário das quadras 206/406. A instituição atua em parceria com a Polícia Militar Ambiental e o Instituto Brasília Ambiental (Ibram) no flagrante de crimes contra a natureza, além de  trabalhar com educação ambiental em escolas.
Mesmo sem documentação, a sede da instituição já foi transferida para o posto, dividindo o espaço com dois artistas plásticos que expõem esculturas de material reciclado e ferragens. Com medo de ataques, os voluntários, a maioria militares aposentados, revezam-se em turnos para vigiar o kinder ovo 24 horas por dia.
AtaquesDesde que foram inaugurados pelo governo Arruda, em 2008, um terço dos postinhos comunitários foi alvo de incêndios intencionais e depredações. Procurado pela reportagem, o ex-governador preferiu não se pronunciar sobre o assunto.
Mesmo quando são ocupados por projetos sociais mais inclusivos e democráticos, os módulos não ficam livres de ataques. O projeto BiciCentro, um bicicletário que funcionava em um PCS na Estrutural, teve de ser cancelado dois meses depois da inauguração: a sede foi queimada no ano passado.
InsegurançaCom 35% das unidades sucateadas e 26% doadas, a PMDF decidiu manter apenas os PCSs localizados em pontos considerados estratégicos. Com isso, a maior parte da população se sente abandonada e reclama de que não houve comunicação sobre o fechamento dos postos.
Para lidar com a insegurança nas regiões que estão sem postos, a Polícia Militar adotou bases móveis. A falta de efetivo tem sido combatida com a adoção do serviço “voluntário” gratificado: quando policiais de folga são requisitados para trabalhar voluntariamente, mas de forma remunerada.
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