CLDF recomenda que a população faça necessidades básicas no chão


Sem ao menos decidir se aprova ou condena a revisão da Lei do Silêncio e da Verba Indenizatória, a Câmara Legislativa sugere para a população do Distrito Federal urinar e defecar no chão. A polêmica sugestão faz parte do “Manual de Sobrevivência à Crise Hídrica”, produzida pela Frente Parlamentar Ambientalista, presidida pelo deputado distrital Chico Leite (Rede). A coordenação técnica ficou sob os cuidados de servidor do gabinete do distrital, Pedro Ivo, porta-voz da Rede em Brasília.
Na página 29 da dita cartilha está sugerida a interdição do vaso sanitário. “Parece um absurdo, mas se não há previsão de volta da água, essa é uma necessidade sanitária e de conforto, porque vai evitar insetos e mau cheiro na sua casa. O que fazer para manter o local em condições habitáveis? A urina pode ser recolhida e ir para a terra. As fezes depositadas sobre jornal e depois embaladas em plástico para seguirem o mais rápido possível para o aterro sanitário junto com o lixo”, escreveu a Casa. Na sequência, o manual propõem a construção de banheiros secos.
A redação despertou críticas nas ruas, redes sociais e dentro da própria Câmara Legislativa. O deputado distrital Cláudio Abrantes, atualmente sem partido, membro da Frente Parlamentar, criticou a ausência de reuniões sobre a produção do material, declarando que não foi informado do manual e assessoria do gabinete não foi convidada para a discussão. Abrantes discorda abertamente de determinados pontos da redação. Em conversa reservada, outros parlamentares questionaram o texto.
Segundo o cientista político Valdir Pucci, a sugestão é absurda. “A Câmara tem a função de fiscalizar. Nunca cumpre seu papel. O que ela fez em relação ao Executivo neste últimos anos quando o problema do abastecimento de água crescia à olhos vistos? Nada. E agora vem com essa ação, que é no mínimo desrespeitosa para qualquer cidadão do DF”, criticou.
Na avaliação de Pucci, o desempenho da Casa deixa muito à desejar inclusive neste momento da crise hídrica. Faltam ações de fiscalização e propostas de solução e prevenção do agravamento do problema. “Passam sugestões sem o menor cabimento e onde estão as propostas para a melhora do saneamento básico, na política ambiental e no crescimento sustentável”, questionou.
Frente defende soluções
“É um princípio da Permacultura. O manual apresenta sugestões para uma crise aguda com respostas simples e urgentes. Retiraram um ponto do conjunto e querem apresentá-lo como uma galhofa. Mas é uma solução reconhecida em todo mundo”, justificou o coordenador técnico da Frente Parlamentar, Pedro Ivo.
A Permacultura é um modelo de planejamento de ambientes sustentáveis e produtivos em sintonia com o meio ambiente. Segundo Ivo, o manual foi produzido a partir de uma cartilha lançada na crise hídrica de São Paulo, pela Aliança da Água. O conteúdo foi regionalizado por professores da Universidade de Brasília (UnB).
“E em Brasília, 80% do consumo da água é nas áreas rurais. Evidente que são boas soluções rurais, mas também cabe nos prédios urbanos”, comentou. No DF, as técnicas já são empregadas por ecovilas, pelo Instituto Permacultura (Ipoema) e a chácara Asa Branca. “A sugestão é para uma situação de crise extrema. Onde as pessoas ficam uma semana sem água. É um manual de sobrevivência”, explicou.
Ao todo, foram produzidas 500 edições da cartilha, distribuídas na semana passada no Fórum Mundial da Água. Ivo discorda francamente da “suposta” ausência de ações de fiscalização por parte da Câmara. “Estamos cobrando do Estado, do governo formas de poupar mais água. Aprovamos a Lei do Reuso em 2017, fazemos campanhas nas redes sociais e produzimos relatórios e audiências públicas. A cartilha é apenas um ponto”, argumentou.
FONTE: JORNAL DE BRASÍLIA 
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