Preso do Complexo da Papuda morre com suspeita de leptospirose


O preso Jorge Wellington Braga de Sousa Silva, 37 anos, que cumpria pena na Penitenciária do Distrito Federal I (PDF I), localizada no Complexo da Papuda, morreu na madrugada desse domingo (28/04/2019), com suspeita de ter contraído leptospirose. Ele chegou a ser internado, mas não resistiu. A doença infecciosa é causada por bactéria e transmitida ao ser humano pela urina de roedores.

Silva estava preso desde 2016 e respondia por estupro. “Ele passou mal durante a noite e foi internado na quinta-feira (25/04/2019). Teve parada cardiorrespiratória, os rins não funcionavam mais e ele estava respirando com ajuda de aparelhos. No hospital, constataram a leptospirose”, detalhou o advogado do interno, Adriano dos Santos Sousa Silva. O enterro deve ocorrer ainda nesta segunda (29/04/2019). O laudo que vai bater o martelo sobre a causa da morte será feito pelo Instituto Médico Legal (IML) e ficará pronto em até 30 dias.

Na solicitação de necropsia feita por uma médica do Hospital Regional da Asa Norte (Hran), a especialista relata que o paciente morreu com suspeita de ter contraído a doença. Ele começou a vomitar, entre outros sintomas, após ter contato com a água da chuva no presídio.

O Metrópoles também teve acesso a fotos e vídeos de roedores no Complexo da Papuda. Em um dos registros, um roedor caminha pelo escorredor de louças dentro do alojamento dos agentes penitenciários.

Ao Metrópoles, o subsecretário do Sistema Penitenciário (Sesipe), Adval Cardoso de Matos, lamentou a morte do reeducando e explicou que já havia solicitado a dedetização dos presídios.
“Se a dedetização não acontecer hoje, daremos um jeito por meios próprios porque até os policiais correm risco”, alertou Matos. O subsecretário acrescentou que não há outros presos com os sintomas de leptospirose.

Caçada aos roedores
Agentes penitenciários ouvidos pela reportagem confirmam a infestação nas unidades da Papuda. Eles detalharam que, durante os plantões, matam os ratos com “espingarda de chumbinho”. O subsecretário da Sesipe confirmou ao Metrópoles que a situação mais crítica é na PDF I.
“O problema não se restringe ao Complexo da Papuda. Até mesmo o CPP, no SIA (Setor de Indústria e Abastecimento), é assim. Os plantonistas pegam armas de chumbinho e ficam atirando nos ratos”, disse o servidor que pediu para não ser identificado.
Outro agente alertou para o risco de contaminação durante o serviço. “Lá é rato toda hora. Têm uns que parecem cachorros, de tão grandes. Muitos colegas adoecem. Além de tudo, lidamos com presos doentes, precisamos usar luvas e também fazemos escoltas hospitalares. Hoje, recebemos o adicional de insalubridade de grau médio, mas no Distrito Federal, nessas condições, teríamos que receber o grau máximo”, reivindicou outro agente.

Paulo Rogério, presidente do Sindicato dos Agentes de Atividades Penitenciárias do DF (Sindipen-DF), reforça que o problema é grave e já foi denunciado pela entidade.
“O problema não é novo. É algo recorrente e que denunciamos há, pelo menos, 10 anos. Infelizmente, um preso teve que falecer para que as autoridades tomem alguma providência. Esse problema é decorrente da superlotação. Há uma década a lotação do presídio era de seis mil internos. Hoje, temos a mesma estrutura e abrigamos 18 mil presos. Cada cela tem até 40 pessoas”, disse.
O sindicato também alerta que a produção de lixo nas unidades é “gigantesca”. “Os servidores ficam expostos 24 horas e correm o risco de pegar todo tipo de doença. No mês passado, um agente estava internado na UTI com suspeita de H1N1. Já tivemos registros de tuberculose, problemas pulmonares e de pele“, destacou Paulo Rogério.

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