Filhos gritam pela mãe que morreu assassinada por PM que morava em Samambaia

“Quem ama não machuca. Quem machuca são as pessoas. Amor é a coisa mais linda do mundo. Que culpa tem o amor se as pessoas não sabem amar?”. Com essa mensagem estampada em camisetas brancas, símbolo de paz, familiares e amigos se despediram de Adriana Castro Rosa Santos, 40, morta pelo marido e ex-policial militar Epaminondas Silva Santos, 51, que se matou em seguida na última terça-feira (7), no Riacho Fundo.
O sepultamento ocorreu na manhã desta quinta-feira (9), no Cemitério Campo da Esperança de Taguatinga, e contou com a presença de cerca de 80 pessoas. A Polícia Militar enviou coroas de flores ao local e alguns militares foram à capela, mas não participaram do cortejo.
Os familiares de Adriana estavam muito comovidos. Apenas o irmão, Marcelo Adson, 35, teve condições de conversar com a imprensa. “Estou centrado porque tenho uma força espiritual. Às vezes eu perco o chão, mas converso comigo mesmo para não bater o desespero”, relata. O supervisor comercial define o estado dos irmãos e da mãe como “deplorável”.
Filhos em choque
Os filhos do casal, de 11 e oito anos, estão em choque com o que aconteceu. “Por enquanto vão ficar com a avó. Depois vamos ver o que faremos”, conta. “Eles começaram a nos relatar coisas que se você escutar, chora”, aponta. Durante o sepultamento, eles chamavam pela mãe e eram consolados por parentes próximos.
Ao citar os relatos das crianças, Marcelo Adson se refere ao ambiente violento onde Adriana vivia há anos: a própria casa. “Um dia os dois se amaram, mas a bebida estragou tudo. Ela continuava em casa por medo de morrer e de que ele matasse alguém”, sugestiona.
Um dia antes da tragédia, os irmãos se abraçaram em um evento da família. “Como nunca tínhamos feito antes. Ela recostou a cabeça no meu ombro e chorou. Ficamos assim por vários minutos”, lembra.
Na ocasião, Adriana revelou que estava sendo ameaçada de morte pelo marido. “Que ele apontava a arma na cabeça dela, tanto bêbado quanto sóbrio. Que dizia que ia matar ela e as crianças”, compartilha. “O medo impediu de denunciar. E de contar para nós da família, para ninguém acabar morto também”, afirma.
Discurso de despedida
“Lá em casa, o maior cuidava do menor. Ela trocou minhas fraldas. Dava apoio pra minha mãe, que trabalhava fora pra sustentar a gente. Sempre foi e será mulher que amava e cuidava de todos. Ela nunca vai deixar de ser a nossa Di, nem a mãe que ela foi pros filhos dela”, declarou o irmão.
A lembrança que fica de Adriana é de uma mulher feliz, alegre, bonita e vaidosa. “Fora de casa. Porque dentro, era um terror. Nem os filhos aguentavam mais. Se ela saísse para ir na esquina, eles grudavam nela”, relata.
A família critica a falta de apoio psicológico aos policiais militares ao longo da carreira. “Uma pessoa que andava armada e estava envolvida com bebida é uma bomba. Ele foi vítima dele mesmo porque estava desequilibrado, mas não o isenta da culpa”, define Marcelo Adson.
FONTE : JORNAL DE BRASILIA
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