DF volta a ter menos de 3 milhões de habitantes

SAIA JÁ DO ALUGUEL
O Distrito Federal voltou a ter menos de 3 milhões de habitantes em 2018, um ano após a população ter chegado a 3.039.444 pessoas. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o fluxo migratório para a região continua positivo, mas está em queda. Outro fator que influencia no resultado é queda na fecundidade, estimada em 1,68 filhos por mulher em 2018. A projeção também mostra que a população com idade entre 0 e 13 anos encolheu 3,1%. O estudo leva em conta uma futura mudança de divisa entre DF e Goiás. Com a alteração, a população do DF perde 2,4 mil pessoas, mas, se considerada a Região Metropolitana, continua a terceira maior do Brasil, atrás apenas de Rio de Janeiro (6,6 milhões) e São Paulo (12,1 milhões).
A diretora de Estudos e Pesquisas da Companhia de Planejamento do DF (Codeplan), Ana Nogales, ressalta, porém, que o levantamento foi feito com uma metodologia diferente da utilizada em 2017 e anos anteriores. “Não houve um encolhimento significativo da população, mas sim uma mudança na metodologia de análise dos parâmetros de fecundidade e de migração”, explica, mas reconhece haver, atualmente, uma queda no volume migratório. A diretora diz, ainda, que alterações na divisa com Goiás, no município de Valparaíso, não devem afetar resultados futuros, caso aconteçam.
Com a nova metodologia de cálculo, feito em junho deste ano, o IBGE estima que a população esteja com exatos 2.974.703 habitantes — 64,7 mil a menos que no ano passado. “O que vai acontecer com a população nos próximos anos depende de muitas circunstâncias, inclusive da economia brasileira. Quando ela está muito ruim, a migração aumenta. A tendência é ter um crescimento interno importante no DF”, prevê o pesquisador associado à Universidade de Brasília, especialista em demografia, Aldo Paviani. Ele, que também é diretor de Estudos Urbanos e Ambientais da Codeplan, pondera: “Vamos continuar crescendo, mas não no ritmo dos anos 1970”.
Idas e vindas
A família de Rebeca Gomes Oliveira, 35, já se mudou para Brasília duas vezes. Entre chegadas e partidas, o filho dela, hoje com cinco anos, nasceu aqui. A última vinda à foi em dezembro passado e a intenção é morar aqui até 2020. Rebeca conta que a frequência migratória da família pelo País se deve à profissão do marido. Oficial do Exército, ele se muda periodicamente para cursos de especialização. “Mas eu queria criar raízes aqui”, brinca.
Ela, que já viveu no Rio de Janeiro (RJ) e em Recife (PE), destaca os motivos para escolher Brasília pela segunda vez: “Saúde, escolas e moradia melhores. Ter filhos aqui é excelente, por termos mais acesso a hospitais. Na Asa Norte, conseguimos ter tudo por perto”, demonstra. Outro ponto de interesse são pistas de corrida como o Eixão. “Há muitos lugares para praticar. Nós adoramos”, conta. “Quando saímos daqui, fizemos de tudo para voltar, porque Brasília é muito cogitada entre os militares. Quem chega se apaixona”, garante.
A família representa, ao mesmo tempo, o fluxo migratório de outros estados para o DF — positivo, mas em queda, conforme o IBGE — e o crescimento da população nascida no Plano Piloto e regiões administrativas. “Que já representa mais de 50% do total de pessoas do DF”, indica o especialista em demografia Aldo Paviani.
O cenário é diferente de décadas atrás. “Em sua fase pioneira, Brasília e todo o anel metropolitano experimentaram migrações importantes. A vinda de pessoas para construir o Plano Piloto e as cidades satélites entre 1960 e 1980 foi acelerada. No início do século, o número de migrações foi baixando”, complementa Paviani. “Havia um saldo migratório de 40 mil habitantes novos todos os anos. Hoje, temos um terço disso”, estima.

Números

2.974.703
é o número exato de habitantes do DF, segundo o IBGE
64,7
mil a menos que no ano passado



Milhões vivem em 5% do País
Mais da metade da população brasileira vive em 5,7% das cidades, segundo os dados do IBGE. Somente 317 municípios, de um total de 5.568, concentram população de 118,9 milhões de pessoas, de um total de 208,5 milhões de habitantes no país neste ano.
A população brasileira teve ligeira alta em 2018, com aumento de 0,38% (ou 800 mil pessoas) frente ao contingente populacional registrado em 2017. Os municípios de maior contingente populacional são os com mais de 100 mil habitantes. Se considerados os municípios com mais de 500 mil habitantes, observa-se que eles concentram 31,2% da população brasileira (ou 64,9 milhões de pessoas).
A população brasileira teve ligeira alta em 2018, com aumento de 0,38% (ou 800 mil pessoas) frente ao contingente populacional registrado em 2017. Os municípios de maior contingente populacional são os com mais de 100 mil habitantes. Se considerados os municípios com mais de 500 mil habitantes, observa-se que eles concentram 31,2% da população brasileira (ou 64,9 milhões de pessoas).
Enquanto a maioria dos municípios brasileiros (68,4%) possui população de até 20 mil habitantes, apenas 15,4% (ou 32,1 milhões de pessoas) vivem nesses locais.
As capitais mais populosas do País continuam sendo São Paulo (12,1 milhões de pessoas), Rio de Janeiro (6,68 milhões de pessoas) e Brasília (2,97 milhões). No ranking dos municípios com mais de 500 mil habitantes, exceto capitais de estado, figuram no topo as cidades de Guarulhos (em SP, com 1,36 milhão de pessoas), Campinas (em SP, com 1,19 milhão de pessoas), São Gonçalo (RJ, com 1,07 milhão), Duque de Caxias (RJ, 914 mil) e São Bernardo do Campo (SP, com 833 mil).
Saiba Mais
A mais recente Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios (PDAD), feita pela Codeplan no DF em 2015, considera que o total de moradores do DF era de 2.906.574. Três anos depois, com uma média de crescimento de 2,13% ao ano, sugerida pelo órgão, a população estaria na casa dos 3 milhões em 2018.
A mudança na metodologia de cálculo no IBGE e a queda no volume migratório motivaram números mais baixos. “Como houve uma revisão nos cálculos, todas as estimativas publicadas anteriormente são menores do que as reais”, afirma a diretora de Estudos Pesquisas da Codeplan, Ana Nogales.
Para elaborar a estimativa populacional, o IBGE também considerou a queda no número de registro de óbitos, registrada entre 2014 e 2016. Houve 465 registros a menos nos Cartórios de Registro Civil no período, o que pode impactar positivamente a taxa de mortalidade.
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