CPI da pedofilia investiga rede de aliciamento de menores no DF


Uma rede de aliciamento e abuso de crianças e adolescentes de regiões carentes do Distrito Federal e do Entorno é alvo de investigação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia da Câmara Legislativa do Distrito Federal. Ela deflagrou ontem a Operação Crisálida, com o cumprimento de um mandado de busca e apreensão para a coleta de possíveis provas dos crimes. Policiais civis deram apoio à comissão recolheram computadores, câmera, celular, HD, remédios e conteúdo pornográfico.

Além do material apreendido em um endereço da Asa Norte, os policiais encontraram uma jovem de 18 anos, debilitada e com apenas um vestido como posse. Ela contou aos policiais que era mantida no local há um mês, com a promessa de que teria todas as contas e despesas pagas. Afirmou também que tentava fugir havia uma semana, mas era dopada com remédios.“Isso mostra o quanto essa situação é abusiva e viola a condição humana. A gente classifica essa menina como adolescente não só pela idade, mas pela postura física e psicológica e pelo estado de fragilidade em que ela se encontrava, numa situação muito triste”, disse o delegado responsável pelo apoio à CPI, Haendel Fonseca.

De acordo com o delegado, as declarações da menina, encaminhadas à Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), ajudam a confirmar a hipótese de uma rede formada por aliciadores que recrutam para prostituição crianças e adolescentes (entre 14 e 18 anos) em situação financeira vulnerável. A investigação aponta que os suspeitos usam páginas em redes sociais e sites para anunciar os programas sexuais feitos pelas adolescentes exploradas. Os valores cobrados variam de R$ 150 a R$ 2 mil. Cerca de 20% eram repassados às adolescentes.

Fonseca diz que a investigação, até o momento, mostrou concretamente o aliciamento de menores do sexo feminino, mas há indícios de que meninos também sejam vítimas. O material apreendido ontem passará por perícia. Segundo a análise preliminar do delegado, o conteúdo dá indícios do crime e deve ajudar a identificar mais casos. Outros dois mandados foram expedidos para ontem, mas os suspeitos mudaram de localização, o que impediu a efetivação das buscas.

As investigações e a deflagração da Operação Crisálida dão início à terceira fase da CPI da Pedofilia da CLDF. Presidente da comissão, o distrital Rodrigo Delmasso (PRB) explicou que, nas outras duas etapas, foram realizados análises e diagnósticos do sistema de proteção da criança e do adolescente no DF, além do pedido ao Tribunal de Contas do DF de uma auditoria, ainda em andamento, do Fundo dos Direitos da Criança e Adolescente (FDCA/DF).

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia da Câmara Legislativa foi criada em 2016 para para investigar casos de aliciamento e abuso de crianças e menores no DF. Os trabalhos da CPI foram prorrogados até o fim da legislatura atual. Segundo dados da Polícia Civil, foram registrados neste ano (até abril) 110 casos relacionados à pedofilia no Distrito Federal. Com 22 registros, Ceilândia é a região com mais ocorrências.

Segurança na advocacia

As sociedades de advogados Bello Ribeiro, Caputo, Dorneles, Nunes, Saboia e Vidigal promovem, hoje, uma palestra sobre segurança e compliance na advocacia. O grupo realiza o evento em apoio às atividades de caridade da igreja Nossa Senhora de Guadalupe, na Asa Sul. A participação está sujeita à doação de uma lata de leite em pó.

O delegado Luciano Leiro, vice-presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), e o ex-diretor da PF Leandro Daiello são os palestrantes. O evento ocorre na sede do escritório dos advogados associados, no Lago Sul, das 19h às 21h. Mais informações pelo telefone: 3366-5544.

O compliance é o conjunto de normas para cumprir as diretrizes e políticas empresariais. As regras também servem para facilitar a detecção de condutas irregulares.
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