Brasil encara europeus de olho na vaga para a semifinal do Mundial

A disputa por vaga na semifinal da Copa do Mundo entre Brasil e Bélgica, hoje, às 15h, em Kazan, de certa forma tem uma importância maior para os europeus do que para a seleção. Se para o País pentacampeão o confronto vale, obviamente, a permanência no torneio, para os adversários o peso é maior por se tratar da chance de garantir a sobrevida de uma geração badalada e talentosa, mas ainda sem conseguir convencer no futebol do planeta.
CCI
Nomes como Courtois, Vertonghen, Hazard, De Bruyne e Lukaku representam a maior esperança de a Bélgica voltar a uma semifinal de Copa depois de 32 anos. O elenco formado anos atrás, quando esses atletas eram apenas jovens promissores, agora chega à decisão contra o Brasil composto por estrelas de clubes ingleses e consagrados individualmente. Porém, todos ainda buscam um resultado pela seleção capaz de legitimar a fama que durante anos a equipe levou.
Toda essa expectativa pode ruir diante do Brasil pelas quartas de final. Como em uma espécie de autodefesa, a Bélgica tem jogado todo o favoritismo para o adversário e buscado tirar o peso do momento. Afinal, em jogos eliminatórios anteriores, como contra a Argentina, na última Copa, e País de Gales, na Eurocopa de 2016, os belgas mostraram inexperiência para lidar com decisões.
O problema é que talvez nos próximos anos esta mesma geração não tenha o vigor para chegar tão longe e ter outra oportunidade. “Jogar com o Brasil é um teste e tanto para vermos como está nossa equipe”, comentou o atacante Lukaku.
LI BRONZE
Acostumada a ver os vizinhos e rivais holandeses se destacarem em Copas, a Bélgica considera a partida com o Brasil como a mais importante da história do País. Ao mesmo tempo, a equipe pode igualar a melhor campanha em um Mundial, mostrar força, superar a tradição do Brasil e comprovar o poderio. “Para jogos assim não se precisa de motivação. Quando você enfrenta o Brasil em uma partida de quartas de final, isso é o bastante. Trabalhamos dois anos para isso”, comentou Lukaku.
A Seleção Brasileira se difere da Bélgica por não lutar contra o status de favorita. A equipe parece sofrer menos da pressão pelo momento histórico e o próprio técnico Tite disse estar agora, em pleno mata-mata, em momento bem mais leve se comparado à da estreia na Copa. “O desempenho dos atletas aconteceu. Isso me gera confiança”, afirmou o treinador.
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O Brasil terá a presença do volante Fernandinho na vaga de Casemiro, suspenso, e uma grande presença de torcedores a favor. A cidade de Kazan está cheia de brasileiros, que andam pelas ruas com camisas amarelas cantando músicas. A movimentação levou a imprensa belga a questionar o treinador Martinez se o otimismo do público não significava excesso de confiança, tema que ele evitou comentar.
Para o Brasil, de certa forma, o encontro também tem a importância de carimbar a equipe como favorita ao título. A seleção chegou até aqui sem derrotar adversários de muita tradição em Copas e pela primeira vez terá um confronto com uma equipe de nível técnico e de talento parecidos.
Nomeado novamente capitão, o zagueiro Miranda elogiou o adversário e respondeu uma provocação feita pelo zagueiro adversário Kompany de que os belgas já estariam preocupados com a semifinal. “Conhecemos todos os tipos de provocações. É uma forma de ocultar o medo e mostrar confiança, porque é sempre difícil jogar com a Seleção Brasileira”, comentou.
Coletivo tem prevalecido
Neymar, de 26 anos, fez e ainda faz a diferença dentro de campo, mas a Seleção Brasileira conseguiu deixar a dependência do jogador no passado. E essa situação nem é pela excelente fase de Philippe Coutinho, destaque dos dois primeiros jogos do Brasil na Copa.
No Mundial da Rússia, o time brasileiro aposta no conjunto. E a força do coletivo será colocada novamente à prova hoje contra a Bélgica. Se passar pelo adversário, vai encarar na semifinal o ganhador do duelo entre Uruguai x França.
Desde que estreou na equipe principal em agosto de 2010, o camisa 10 sempre foi a grande aposta para ser o diferencial dentro de campo. Assim como acontece agora na era Tite, ele também foi o goleador com os últimos três treinadores que comandaram a seleção: Mano Menezes, Felipão e Dunga.
A dependência sobre Neymar, porém, era muito maior. Com Mano Menezes, ele tinha média de 0,63 gols por partida, enquanto com Felipão teve 0,67 por confronto. A maior dependência do craque foi vista na era Dunga. Em 16 jogos, foram 11 gols marcados (0,69).
Com Tite, a média é menor: 0,57 – 11 tentos em 19 jogos. Atualmente, o atacante tem três companheiros, que ameaçam seu reinado de artilheiro – Gabriel Jesus, que já marcou 10 vezes, e Coutinho e Paulinho com oito gols cada um.
Até o próprio Neymar está demonstrando um futebol mais coletivo. “Ele (Neymar) está com o senso de equipe muito mais desenvolvido e solidário”, disse Tite.
Tite aposta em Marcelo
Tite confirmou ontem o retorno do lateral-esquerdo Marcelo à formação titular da Seleção Brasileira para a partida com a Bélgica. Recuperado de um espasmo na coluna, o jogador do Real Madrid reassume a posição, ocupada por Filipe Luís contra o México e em grande parte do jogo com a Sérvia.
Marcelo sentiu o problema no começo da partida com a Sérvia, não enfrentou o México e agora, contra a Bélgica, será titular novamente. “Conversei com o Marcelo e o Filipe Luís. Marcelo saiu por um problema clínico, não voltou por um problema físico no segundo jogo. Filipe Luís jogou muito nos dois jogos, competem bem os dois. E por critério, volta o Marcelo. No lugar do Casemiro, joga o Fernandinho”, afirmou Tite, ao citar a outra alteração na equipe.
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