Por medo de abuso nos ônibus, passageiras de Samambaia levam máquinas de choque na bolsa


A presença mais efetiva da Polícia Militar  nos ônibus de Samambaia tem surtido efeito. Mas ainda não é suficiente para que as passageiras se sintam mais seguras.Desde fevereiro, quando implantou operações dentro de coletivos em Samambaia, para evitar abusos e furtos nos ônibus, a PM atendeu  ocorrências de assédio sexual ou atos obscenos no sistema de transporte. Todos os suspeitos foram identificados e presos.



Uma passageira fala que reagiria se acontecesse algo parecido com ela ou com alguém próximo. “Acredito que a população tem que ser solidária também, porque a gente precisa se unir para se defender. As pessoas têm que se colocar no lugar do outro e os homens têm que pensar: e se fosse minha filha, minha namorada, esposa?”.
Priscila Moraes, 25, relata que nunca aconteceu nada com ela, mas que também interviria. “Eu tiraria a pessoa de perto do individuo e não ia deixar quieto”. A jovem disse que pega ônibus poucas vezes na semana e que não se sente bem dentro dos coletivos. “A sensação que eu tenho é que sou um pedaço de carne. A gente fica sem jeito. Parece que eu não tenho o direito de estar ali, de estar com a roupa que eu estou, é horrível”. Na opinião dela, as pessoas geralmente se omitem ao ver algo do tipo acontecer perto delas. “Mas acho que isso tem melhorado. E é o que tem que acontecer. As pessoas precisam pensar nas outras”.

Máquina de choque

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Na tentativa de buscar uma forma de se sentirem seguras, algumas mulheres apelam para artifícios. Algumas delas não sentem medo e dão bolsadas nos abusadores, mas outras têm buscado objetos mais agressivos. “Eu ando com uma taser [máquina de choque] na bolsa. Comprei justamente para me defender”, conta uma jovem, que pediu para não ser identificada.
Guardada na bolsa, a máquina fica carregada e pronta para dar um choque em quem tentar abusar, mas a moça disse que ainda não precisou usar. “E também não quero ter que usar. Mas se for preciso, não vou ter medo. Porque ou a gente reage, ou a gente é abusada. Ninguém vai olhar pela gente, se não nós mesmas”, desabafa.
Uma moça que já foi violentada dentro de um ônibus – que também prefere não se identificar – pensa em comprar um spray de pimenta. “Se vier pra cima, espirro no olho e grito para segurarem até a Polícia Militar chegar. A gente tem que parar de sentir medo e suportando os olhares pra cima da gente”, comenta.
“Já eu, quando aconteceu comigo dentro do ônibus, joguei a bolsa com tudo pra cima dele. Não me preocupei e nem senti vergonha das outras pessoas”, lembra uma mulher de 42 anos, que também já foi abusada num coletivo. “Faz tempo, mas eu faria de novo”.
A delegada  da Delegacia da Mulher, explica que embora seja entendível que as mulheres queiram se proteger, o uso de objetos – como a taser e o spray de pimenta – é proibido e pode trazer complicação para quem portá-los. “A orientação que nós damos é de que elas peçam socorro ao motorista ou ao cobrador do ônibus. Nem sempre as outras pessoas vão ajudar, então, procurem essas pessoas, que eles vão saber o que fazer”.
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