A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) incluiu a proposta da Usina Termelétrica Brasília, em Samambaia (DF), como um dos 667 empreendimentos que prejudicam o meio-ambiente e a saúde no Brasil. O projeto consta no Mapa de Conflitos Envolvendo Injustiça Ambiental e Saúde.
A Fiocruz considerou que a implementação da usina vai apresentar efeitos nocivos à saúde, com doenças respiratórias e piora da qualidade de vida no local.
Já em relação ao meio-ambiente, a fundação destacou o assoreamento de recurso hídrico, contaminação ou intoxicação por substâncias nocivas, desmatamento, queimada, irregularidade na autorização ou licenciamento ambiental, mudanças climáticas, poluição atmosférica e poluição de recurso hídrico.
O projeto para construção da termelétrica tramita no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A audiência pública foi suspensa em junho, após protestos contra a instalação. Até o momento, não foi divulgada uma nova data para a audiência.
Entenda a usina:
- A usina de Samambaia prevê gerar sozinha 1.470 megawatts
- Essa energia entraria para o Sistema Interligado Nacional (SIN) para abastecer o país, e significaria a mudança da matriz energética do Distrito Federal que tem, atualmente, como sua principal fonte de energia o abastecimento por hidrelétricas – Furnas e Itaipu, consideradas energias renováveis.
- A usina terá três turbinas a gás, três caldeiras de recuperação e uma turbina a vapor
- A energia gerada ligará a usina à subestação de Samambaia por uma linha de transmissão de 6,29 quilômetros.
- Uma adutora ligada à usina pretende captar um volume de 110m³/h de água no rio Melchior (foto em destaque), que estará a apenas 500 metros da margem
- Após usar a água, a usina pretende devolver 104 m³/h ao rio.
- Como o DF não tem gás natural, projeto prevê a construção de um gasoduto de São Carlos (SP) para Samambaia
- Esse modelo seria implantado e ficaria sob responsabilidade da Transportadora de Gás Brasil Central (TGBC), que pertence ao mesmo sócio da empresa responsável pela usina: Carlos Suarez, também conhecido como Rei do Gás.
Com a usina, o Distrito Federal passa a ter cinco pontos incluídos na lista da Fiocruz, sendo dois em Samambaia: a termelétrica e o aterro sanitário.
Além deles, uma fazenda em Planaltina é apontada pelo uso de agrotóxico, a área do lixão da Estrutural (mesmo desativada desde 2018) e conflito pelo santuário indígena no Noroeste.

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