Fim do auxílio emergencial pode desacelerar consumo das famílias, diz BC



 O Banco Central (BC) admitiu nesta quinta-feira que o fim do auxílio emergencial pode provocar uma desaceleração no consumo das famílias brasileiras e, por isso, coloca uma incerteza a mais na velocidade da retomada econômica a partir do fim do ano. Ainda assim, a autoridade monetária melhorou as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil de 2020 e de 2021.

O efeito do auxílio emergencial no consumo das famílias brasileiras foi analisado em um box especial do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), publicado nesta quinta-feira (24/09). O box destaca que o auxílio liberou cerca de R$ 37 bilhões por mês aos brasileiros de baixa renda, "o que representa uma transferência da ordem de 12% da renda mensal de 2019". E conclui que, por isso, o benefício "ajudou a sustentar o consumo durante os primeiros meses de impacto da pandemia".


O BC calcula que os municípios que tiveram um incremento de renda de 1 ponto percentual com o auxílio emergencial podem ter tido um volume de compras 0,83 ponto percentual maior que o de outros municípios. O dado se refere às compras com cartão de débito, que foram motivadas pelo auxílio emergencial já que o benefício vem sendo pago prioritariamente de forma digital. Porém, segundo o BC, deve ser observado com cautela, já que as compras em débito podem não representar a variação do consumo como um todo e esse impacto é maior nos municípios cuja população foi mais atendida pelo auxílio emergencial.

Ainda assim, a autoridade monetária conclui que "no agregado dos municípios, as estimativas indicam que o auxílio emergencial teria contribuído com 10,3 pontos percentuais para o consumo no período, que cresceu 0,3% na métrica comparável". E disse que, por isso, "o fim do programa pode contribuir para a desaceleração do consumo das famílias, ainda que de forma temporária".

Em outro box do RTI, o BC mostra, ainda, que o consumo da população de baixa renda vem se recuperando do choque da covid-19 de forma mais acelerada do que o consumo da classe alta. "É provável que a atenuação da queda do consumo nesse grupo esteja associada ao auxílio emergencial a pessoas em situação de vulnerabilidade", analisa.



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