Abastecimento de gás caiu 80% em Samambaia



LULU PETS
O abastecimento de gás de cozinha na capital federal caiu em cerca de 80%, segundo o Sindicato das Empresas Transportadoras e Revendedoras de Gás do DF (Sindvargas). Se antes a quantidade de botijões entregue pelo fornecedor era de 1000, atualmente, apenas 200 têm chegado para suprir a demanda da capital federal. Esse descréscimo faz com que diversas revendedoras espalhadas pela cidade enfrentem a escassez e, portanto, a queda nas vendas.
De acordo com o presidente da organização, Sérgio Costa, o principal motivo para a baixa na distribuição foi a diminuição das atividades de refino do petróleo, de onde a gasolina e o gás de cozinha (Gás Liquefeito de Petróleo – GLP) são extraídos para serem revendidos. “Como as pessoas estão ficando mais em casa nesse momento, o consumo de gasolina caiu drasticamente. E se reduziu a produção de combustível, consequentemente, a produção de GLP também”, explica.


Devido à pandemia do novo coronavírus, muitas famílias compraram a mais para ter o suficiente até que as coisas voltem à normalidade. Isso fez com que os estoques de gás de cozinha se tornassem raridade nas revendedoras. “Houve uma grande compra antecipada por parte do consumidor e com isso, a demanda ficou super elevada”, confirma o presidente do sindicato.
Para evitar que algumas famílias fiquem desastidas no abastecimento de gás de cozinha, o revendedor Guilherme Faria de Queiroz, de 28 anos, passou a restringir a quantidade de botijões a serem vendidos a quem chega em sua loja, no Paranoá. “A demanda está grande. Muita gente que não tem tanta necessidade quer vir para ter uma reserva, então estamos segurando a compra em apenas um para cada pessoa”, conta. Em quinze minutos, enquanto a reportagem realizava a entrevista, oito pessoas pararam os carros em frente a loja para perguntar se o local tinha algum disponível.
“Só sábado às 7h30”, respondia Guilherme. De acordo com ele, o último carregamento veio na quarta-feira (8) pela manhã. A carga do próprio caminhão, com capacidade para cerca de 620 botijões, tem abastecido em pouco mais da metade nos últimos dias desta semana, entre 300 e 450. Todos acabam rapidamente. Para amanhã, o revendedor prevê uma grande fila de compradores, entre 7h30 e 8h30, isto é, se a quantidade não acabar antes do horário de término das vendas.
O preço de cada unidade de gás de cozinha mantêm-se o mesmo do habitual, segundo ele: R$ 75 cada, no cartão, e R$ 70 no dinheiro. “Mas tem gente cobrando R$ 90 ou mais por aí, fazendo a venda no dinheiro, que é para não deixar nota fiscal ou algum outro comprovante de que vendeu por aquele preço”, relata. Vale ressaltar que as vendas são apenas permitidas aos locais que possuem o selo de autorização da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Virgínia Aparecida, 38, é moradora de Sol Nascente e está sem gás desde quinta-feira da semana passada (2). A forma encontrada para conseguir cozinhar foi utilizando álcool e uma latinha cortada. “Eu coloco a grelha do forno aqui na pia, com a latinha por baixo e ascendo com um fósforo. As panelas ficam todas pretas no fundo”, explica. “E por conta disso meu álcool também já está acabando”, relata.


Efeito dominó

De acordo com Sérgio Costa, a suspensão de atividades de algumas etapas do processo de produção do gás de cozinha também colaborou para a baixa distribuição do item. “No final de março, duas refinarias entraram em paralização periódica para manutenção preventiva por questões de segurança. Um dos dutos de distribuição teve as atividades paralizadas”, disse.
Outro fator elencado pelo presidente do Sindvargas, o processo de entrega dos produtos do sudeste ao centro-oeste, feito pela malha rodoviária, é demorado. “Para chegar aqui em Brasilia temos essa dependência por falta de gasoduto. O GLP chega em Santos [SP], é bombeado para Mauá [SP] e depois para as distribuidoras”, detalha. Para chegar ao Distrito Federal, os carregamentos de gás vindos de São Paulo ainda precisam passar para os botijões, em Goiânia.

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