Pais e alunos de Samambaia discutem sobre Militarização





Os seis novos colégios escolhidos pelas secretarias de Educação e de Segurança Pública do Distrito Federal para adotar a militarização vão decidir, na próxima semana, em assembleia, se aprovam ou não as mudanças propostas pelo governo. O modelo, que vigora em quatro escolas públicas desde o início do ano e tem policiais e bombeiros militares para cuidar da disciplina das unidades, divide opiniões na comunidade escolar.


Para definir os colégios que funcionarão sob o novo modelo de gestão, o governo usou uma metodologia criada pela Secretaria de Segurança Pública, que combina aspectos de vulnerabilidade, violência interna e externa, reprovação, evasão e Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

No início da semana, o Gisno, da Asa Norte, ficou no centro da discussão sobre a militarização no DF. A Secretaria de Educação recebeu denúncias de que, em horário de aula, representantes do Sindicato dos Professores (Sinpro-DF) teriam discursado para alunos e panfletado contra a proposta do GDF. A pasta apura o caso. “Foi passado para Ouvidoria. Agora, existe um trâmite interno para a avaliação”, diz o secretário de Educação, Rafael Parente.

Diretor do Sinpro-DF, Dinas Costa contesta que a entidade ou a direção do colégio tenham cometido qualquer irregularidade. “O trabalho que o sindicato faz é de conscientização e debate de uma proposta de ensino com a qual não concordamos”, justifica. “É uma mudança de concepção e é necessário que exista debate e que a comunidade tenha tempo para discutir”, completa.

A posição crítica do sindicato em relação à militarização, segundo Dinas, é baseada na concepção de que os problemas de segurança pública não têm origem nas escolas e não serão resolvidos com a militarização. “A violência pode ser resolvida com investimentos nas escolas públicas, com educação integral, mas feita com contratação de profissionais da educação, psicopedagogos e equipes de apoio”, defende o sindicalista.

Para o secretário de Educação, a atuação do sindicato nos colégios têm acirrado os ânimos. “O sindicato está fazendo o trabalho dele, chegando com várias pessoas, filmando, acirrando os ânimos”, observa. Segundo Parente, a secretaria, por sua vez, se predispôs a tirar dúvidas e auxiliar diretores e professores no processo. “Existe, por exemplo, uma discussão de como a votação deve ocorrer. Estamos passando esse questionamento para a área jurídica, para respondermos com base nas leis.”

O secretário destaca que a mudança teve ampla aprovação da comunidade nos quatro colégios em que foi implementada, desde o início do ano letivo. “75% dos professores dessas quatro escolas dizem que querem que o projeto continue. Se fosse algo que não funciona, não teríamos esse apoio”, afirma Parente. “Mais de 80% da comunidade diz que a escola e o bairro se tornaram mais seguros”, completa.

A respeito dos resultados pedagógicos, Parente acredita que eles tendem a aparecer de maneira mais clara à medida que o modelo vá se efetivando. “O ambiente da escola, pela ordem e pela calmaria, se tornou um ambiente mais propício para aprendizagem. Mas, acreditamos que os resultados pedagógicos estão apenas começando a aparecer, já há um avanço de 5% a 10% em relação ao ano passado, porém achamos que é cedo para avaliá-los.”

Servidora do CEF 407 (Samambaia), um dos colégios escolhidos, Maria José Dias dos Santos, 60 anos, é uma das pessoas que concordam com a alteração. “Minha neta estuda aqui. Temos que pensar no futuro dessas crianças e tudo que traz mais disciplina e um ambiente melhor para a escola deve ser bem-vindo.”

Divergência

No primeiro semestre, algumas situações nas escolas militarizadas provocaram polêmicas. No início da implementação, um grafite do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela foi apagado do muro do Centro de Ensino 1 (CED), da Estrutural. Após protestos, a pintura foi refeita. Em abril, um PM interveio para separar uma briga no Centro Educacional 7, em Ceilândia. O vídeo do servidor imobilizando o estudante viralizou e dividiu opiniões nas redes sociais. Em junho, outro caso controverso: um policial militar de 54 anos, que atuava no Centro Educacional 3, de Sobradinho, foi acusado de assediar alunas e acabou afastado pela Secretaria de Educação.

A rigidez das regras na gestão compartilhada é o que incomoda a operadora de telemarketing Eliana Dourado, 50, mãe de uma aluna do CEF 407 (Samambaia). “É muita imposição. Meninos não podem ter cabelo longo, meninas têm de usar coque. Os adolescentes gostam de mudanças, de ter um estilo. Se os pais quisessem todo esse rigor teriam buscado um colégio militar”, diz. “Além disso, o nosso problema de segurança é na parte de fora das escolas, nos arredores e não dentro do colégio”, completa.

Como funciona

» Cada unidade escolar deve receber de 20 a 25 militares – PMs ou bombeiros;

» A Secretaria de Educação continua responsável pela parte pedagógica, enquanto os militares ficam com a gestão de aspectos disciplinares, administrativos e das atividades de contraturno;

» As escolas seguem as Diretrizes Curriculares da Educação da rede. Contudo, PMs ministram disciplinas relativas à cultura cívico-militar, como ética e cidadania, banda de música, musicalização, esportes e ordem unida;

» Os alunos recebem uniformes diferenciados, produzidos pela Fábrica Social;

» Meninas devem usar coques e meninos, cabelo curto.

Os colégios

Confira as seis escolas escolhidas para a ampliação da gestão compartilhada:

» Centro Educacional Gisno, na Asa Norte

Número de estudantes: 1.529;

» Centro de Ensino Fundamental 19, em Taguatinga

Número de estudantes: 636 alunos;

» Centro de Ensino Fundamental 407, em Samambaia

Número de estudantes: 1.002 alunos;

» Centro de Ensino Fundamental 1, no Núcleo Bandeirante

Número de estudantes: 898 alunos;

» Centro de Ensino Fundamental 5, no Paranoá

Número de estudantes: 1.047 alunos;

» Centro Educacional Condomínio Estância III, em Planaltina

Número de estudantes: 1.531 alunos;

Share on Google Plus

About CRIATIVO PUBLICIDADE

0 comentários:

Postar um comentário