Pais de alunos decidem que querem militarização em todas escolas públicas de Samambaia




Um mês após quatro escolas públicas do Distrito Federal iniciarem o modelo de gestão compartilhada com a Polícia Militar (PMDF), outros colégios manifestaram interesse em participar do projeto. Diretores, professores e pais de alunos procuraram as regionais de ensino para saber como ocorrerá o processo de expansão e cogitar a probabilidade de fazerem parte da iniciativa.
Até o momento são 10 escolas, localizadas em Samambaia, Núcleo Bandeirante, Riacho Fundo II, Sobradinho, Paranoá, Recanto das Emas, Guará e Estrutural. Essas instituições vão iniciar os debates com a comunidade escolar. A ideia é discutir a novidade e submeter a implementação da medida a uma votação, assim como ocorreu nas unidades em que o modelo já funciona.

As escolas acreditam que a gestão compartilhada com a PM vai ajudar a melhorar questões como segurança, disciplina e desempenho na aprendizagem. Embora ainda não haja estudos para aferir resultados da gestão compartilhada, a esperança é conseguir reverter uma realidade de violência e precariedade nas imediações das escolas.
Desde 11 de fevereiro, quando começou o ano letivo, a PM está: no Centro Educacional (CED) 1 da Estrutural; no CED 308 do Recanto das Emas; no CED 7 de Ceilândia; e no CED 3 de Sobradinho. 
O Governo do Distrito Federal (GDF) pretende expandir o modelo para 40 das 693 instituições públicas do DF. Isso deve ocorrer até o fim do ano. Por enquanto, são feitas análises pelas secretarias de Educação e de Segurança, pela Procuradoria-Geral do Distrito Federal, pela Polícia Militar e pelo Corpo de Bombeiros. As conversas preliminares são uma tentativa de se antecipar às sondagens do Executivo local.

“Um sonho”O filho de Suellen Thaís Ribeiro Kreiser, 32 anos, Jonathan Ribeiro, 10, estuda no Centro de Ensino Fundamental (CEF) 2 localizado no Riacho Fundo II. Para ela, a mudança seria “um sonho”. “Fomos esquecidos pelo poder público. Uma escola militarizada melhoraria a disciplina, a segurança. Traria ainda os benefícios para a comunidade. Tem muito assalto aqui no Riacho Fundo II, perto da escola, muita gente vendendo droga. A presença da polícia ajudaria”, afirmou.
A estudante de pedagogia relata que o CEF 2 teve ganhos significativos após a entrada da nova diretoria. “Eles separaram as turmas dos pequenos [até 11 anos] das outras. Tínhamos relatos de tráfico, brigas. Só aí já melhorou demais”, diz.
Critérios de expansão do projetoO pedido das instituições de ensino para conhecer o modelo e debater com a comunidade escolar não é uma garantia de que as escolas serão escolhidas para participar do projeto. De acordo com a Secretaria de Educação, serão avaliados critérios como a nota da instituição no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), a violência na região e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da localidade.

O chefe da pasta, Rafael Parente, ressalta já haver um estudo em andamento que identificou 175 colégios com o pior desempenho da rede. Essas serão as chamadas “escolas prioritárias”. Além disso, há uma identificação das áreas com os maiores índices de violência.
Vamos cruzar essas duas listas e definir as escolas que receberão a expansão da gestão compartilhada. Depois disso, diretores, sindicatos e centros de ensino precisam fazer assembleias para ver a aprovação da comunidade"
Rafael Parente, secretário de Educação

O modelo em escolas públicas é inédito na capital. Os PMs que atuam nos centros de ensino são responsáveis pelas atividades burocráticas e de segurança, como controle de entrada e saída, horários e filas, além de darem aulas de musicalização, ética e cidadania no contraturno.
Orientadores, coordenadores e professores permanecerão encarregados do conteúdo pedagógico das classes, como ocorre nas que já têm o modelo implementado.
O investimento da PMDF para assumir a responsabilidade é de R$ 200 mil por ano. Cerca de 20 militares atuam em cada uma das instituições escolhidas.

Responsável pelo Comando de Policiamento Escolar da PMDF, o coronel Alexandre Ferro afirma que a visão positiva do Programa Escola Gestão Compartilhada se mostrou preponderante durante as audiências públicas realizadas antes da implantação nas quatro escolas-piloto. “Tanto pais de alunos, estudantes e parte dos professores que eram alvo da criminalidade pediam, há muito tempo, esforço para manter a disciplina”, lembra.
Para o coronel, com o novo modelo, os alunos passam a ser mais assíduos e os professores, mais respeitados. Isso está alinhado à expansão da iniciativa. “Nós temos esse e outros 56 projetos sociais em andamento”, ressaltou.
Expectativa
Pai de um estudante do Centro de Ensino Fundamental 10 do Guará II, Sebastião de Sousa Brandim, 42 anos, é a favor a ideia. “Aumenta a disciplina dos alunos e reduz o índice de faltas. Conhecemos uma escola em Valparaíso [GO] que foi transformada depois da administração da Polícia Militar. Melhorou demais, e hoje ela é exemplo”, afirmou.

No entanto, o assunto não é consenso na família. O filho, Carlos Daniel, 12 anos, discorda, mas por questões pessoais. “Não quero ter que andar com aquele uniforme, de camisa para dentro, nem cortar meu cabelo curto”, disse.
O adolescente, contudo, faz uma ponderação: “Embora seja contra, acho que vai melhorar a questão das ameaças que a gente sofre. Muitos alunos ficam querendo bater, dizendo que vão matar os outros. Isso deve acabar”, acredita.
Em 2014, um aluno esfaqueou outro em frente à instituição para roubar um celular. Os casos de intriga entre os estudantes também são frequentes.
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