Avó presa por estuprar e filmar netos compartilhava vídeos dos abusos


A investigação da Polícia Civil do Distrito Federal sobre o caso da avó de 53 anos acusada de estuprar os quatro netos tem desdobramentos cada vez mais chocantes. Desta vez, a 19ª Delegacia de Polícia, em Ceilândia, descobriu que a mulher compartilhava vídeos e fotos do abuso com pelo menos um homem morador de São Paulo. A relação entre ela e o receptador dos arquivos ainda é desconhecida e está sendo investigada.
Segundo o chefe da 19ª DP, Fernando Fernandes, o suspeito já foi identificado. O delegado diz ainda haver “fortes indícios” de que a avó tenha envolvimento com uma rede nacional ou até mesmo internacional de pedofilia.
A suspeita surgiu quando os policiais localizaram grande quantidade de arquivos com fotos e vídeos dos abusos, que ocorriam há cerca de três meses. As vítimas são três meninas, de 1, 2 e 4 anos, além de um menino de 6, todos netos da mulher.
Na tentativa de atrapalhar as investigações, a acusada chegou a deletar alguns arquivos. “Como ela estava apagando as fotos e vídeos, tivemos que apreender o computador e o celular dela, que, agora, passam por laudo pericial”, explicou Fernando Fernandes.
O delegado aguarda também o depoimento da outra filha da acusada, de 17 anos. No entanto, por ser menor de idade, terá o relato colhido por policiais civis da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), em procedimento especializado.
Depoimentos
A mulher foi presa no dia 19 de outubro. O Metrópoles teve acesso aos depoimentos do caso. Os relatos são fortes e expõem as barbáries às quais as vítimas eram submetidas. Em um dos trechos, uma testemunha diz ter visto um dos vídeos, em que a avó mantém relações sexuais com o neto de 6 anos; em outros, ela apareceria acariciando a genitália da neta de 4.
Segundo o depoimento, há também um vídeo no qual a suspeita filma a neta de 1 ano de idade sem roupas. A testemunha disse que as imagens teriam sido gravadas na casa da mãe das vítimas, quando ela não estava presente. Há cerca de um mês, a mulher começou a trabalhar em uma padaria e, por isso, deixava as crianças aos cuidados da avó.
A mãe afirmou que, desde então, passou a perceber “um comportamento erotizado do filho de 6 anos”, e isso despertou sua desconfiança. Imediatamente, ela confrontou a irmã mais nova, que apontou atitudes estranhas na avó. De acordo com a jovem de 17 anos, um dia, “ao sair do banho enrolada em uma toalha, o flash do aparelho celular de sua mãe estava ligado e projetado em sua direção”.
A avó ficou calada na delegacia. Ela foi presa em flagrante por manter consigo vídeos pornográficos com crianças. Além disso, um inquérito policial foi instaurado para apurar o crime de estupro de vulnerável praticado contra os quatro netos. No sábado (20/10), a mulher passou por audiência de custódia e foi encaminhada à Penitenciária Feminina do Distrito Federal.
“O caso chocou todos os policiais da 19ª DP, e várias equipes foram mobilizadas para localizar e prender, imediatamente, a autora dos crimes, pois a liberdade de alguém que pratica algo tão grave contra os próprios netos certamente coloca em risco toda a população”, comentou o delegado-chefe adjunto da 19ª Delegacia de Polícia, Ricardo Bispo Farias.
Tão logo soube que os filhos eram vítimas da própria avó, a mãe das crianças denunciou o crime aos policiais. Os agentes seguiram imediatamente para a casa da suspeita, que mora no Recanto das Emas, e localizaram um vasto acervo de pornografia infantil no celular da acusada.
CPI da Pedofilia
A CPI da Pedofilia expôs na última quinta-feira (18) uma rede de abuso sexual infantil no Distrito Federal. A Operação Erástes, deflagrada pela Polícia Civil, apreendeu 15 celulares com mais de 145 grupos de WhatsApp nos quais mensagens com divulgação de imagens pornográficas de crianças e adolescentes eram compartilhadas. Cada um tinha, em média, 200 participantes.
A CPI da Pedofilia também divulgou os resultados da segunda fase da Operação Crisálida, deflagrada no dia 2 de outubro, que investigou o aliciamento de menores de idade em regiões de baixa renda do DF e Entorno. A ação identificou o uso de salas de bate-papo e sites de relacionamento para fins de exploração sexual.
De acordo com denúncias, algumas páginas de redes sociais chegaram a ofertar programas com adolescentes por valores de até R$ 2 mil. Uma organização criminosa local estaria envolvida no esquema.
A CPI identificou sites, como o Meu Patrocínio, nos quais pessoas procuravam jovens a partir de 12 anos para os programas. Ninguém foi preso até agora. Antes de os suspeitos serem indiciados, segundo representantes da comissão, é necessário que a perícia determine a participação de cada um dos grupos.
Colaborou Douglas Carvalho
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