No DF, sensação de insegurança vai além dos números

Se por um lado as forças de segurança atestam queda nos principais índices de violência, por outro o secretário de Segurança Pública do DF, Cristiano Barbosa, reconhece que a população se sente insegura. “As pessoas demoram a sentir que a criminalidade diminuiu”, argumenta, ao apresentar estatísticas. E enquanto os assassinatos em geral seguem uma queda histórica, os feminicídios – quando a vítima é morta por ser mulher – têm crescimento expressivo. Até o fim de agosto, 20 mulheres foram mortas em todo o DF, contra 12 no mesmo período do ano passado.
Esses e outros dados foram divulgados ontem, no balanço de agosto do programa Viva Brasília – Nosso Pacto pela Vida. Segundo o material apresentado, houve diminuição nas mortes violentas, que caíram de 35 para 29 de agosto de 2017 para o mesmo período de 2018. No acumulado de janeiro a agosto do ano passado na comparação com este ano, houve queda de 3,5% – de 341 para 329.
Menor da história
A marca de 29 mortes violentas é a menor da série histórica para o oitavo mês desde 2000. Em relação às vítimas, 55% tinham algum tipo de antecedente criminal. Entre os autores, 20%. Ou seja, a maioria dos assassinos já eram conhecidos da polícia. No período analisado, não houve registro de latrocínio consumado ou lesão corporal seguida de morte. Porém, em relação às tentativas de latrocínio, houve aumento de 15%: foram registradas 19 em 2017, e 22 em 2018.
O secretário de Segurança justifica que os dados são reflexo do esforço da inteligência e da troca de informações entre as diversas pastas. A intenção é que esse trabalho continue.
Situações do dia a dia
Além da taxa menor apresentada em relação aos homicídios, uma das quedas mais expressivas, e comemoradas pela equipe do Viva Brasília, é a de roubo a transporte coletivo. Entre os crimes contra o patrimônio, esse tipo de delito apresentou a maior diminuição. Caiu de 218 em agosto de 2017 para 95 no mesmo período deste ano. Isso representa 56,4% casos a menos.
No acumulado de janeiro a agosto, também foi o delito que mais registrou queda. Neste ano, foram contabilizados 1,2 mil casos nos primeiros oito meses, contra 1.793 no ano passado. O segundo com maior queda foi o de roubo a comércio, que saiu de 174 em agosto de 2017 para 139 em 2018.
Apesar dessas diminuições, nas ruas, nem todo mundo se sente seguro. O secretário Cristiano Barbosa, reconhece o problema, mas argumenta que é uma situação compartilhada por outras cidades da América Latina e, segundo ele, até da Europa.
“As pessoas demoram um pouco a sentir a sensação de segurança. Porém, a gente sabe que a criminalidade diminuiu porque o dado mostra isso”, reafirma o chefe da pasta.
Feminicídio tem escalada na capital
Um dos desafios é o combate à violência contra mulher, uma vez que, em 88% dos casos deste ano, o local da morte foi dentro de casa. O governo tem uma câmara temática para discutir o assunto e pretende levar educação para que haja uma “mudança social”.
Apesar disso, setembro começou com uma morte. Nessa segunda- feira, em Santa Maria, Simone de Sousa, 26, foi morta pelo ex-marido, Josias Sacramento, 40, a facadas. A mulher estava grávida. O acusado fugiu.
Desde o início do ano, 59 acusados de violência contra a mulher já utilizaram tornozeleiras eletrônicas. Atualmente, apenas 28 deles têm o objeto preso ao corpo. Dos 21 autores de feminicídios ocorridos neste ano, 11 estão presos, seis em processo de julgamento, um foragido, um ainda não identificado e outro em liberdade provisória.
Ataque de Fúria – Homem tenta agredir a ex e vai preso no Gama
No mesmo dia em que Simone de Souza foi morta em Santa Maria, um outro caso de violência contra a mulher ocorreu na cidade ao lado. No Gama, um homem de 30 anos foi preso após ameaçar a ex-esposa, tentar agredi-la e descumprir uma medida protetiva. Ele ainda desacatou e feriu um policial.
Em um ataque de fúria, o acusado foi até a farmácia onde a ex-companheira trabalha e quebrou os vidros do carro dela, que estava estacionado em frente ao comércio. Em seguida, ele invadiu o estabelecimento, foi em direção à vítima e só não bateu nela porque foi impedido por outros funcionários.
A Polícia Militar foi acionada, mas o homem já havia fugido quando os policiais chegaram. A mulher informou o endereço do agressor e os militares foram até lá. Na casa, a mãe dele tentou impedir os policiais de entrarem, mas, um tempo depois, ele apareceu no portão bastante agressivo. Com uma faca na mão, ele foi para cima dos policiais e acabou ferindo um deles. Por fim, foi levado à 20ª DP, do Gama.
FONTE: JORNAL DE BRASÍLIA 
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