Morre, aos 82 anos, Joaquim Roriz, ex-governador do Distrito Federal

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O ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz morreu nesta quinta-feira (27/9), em Brasília, aos 82 anos. O político passou os últimos momentos de vida ao lado das filhas e da esposa, Weslian Roriz. Ele estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Brasília desde 24 de agosto. Na quarta-feira, seu estado de saúde se tornou crítico devido a uma infecção pulmonar.
“Estamos devastados, mas tenho certeza de que não é só nossa família que sente essa perda. É Brasília toda. Ele foi uma pessoa muito boa para Brasília, que merece todo o carinho do mundo e está descansando agora”, afirmou o neto do ex-governador Joaquim Roriz Neto.
Em nota, o governador Rodrigo Rollemberg informou que decretou luto oficial de três dias no DF e afirmou que a morte de Roriz “abala a todos brasilienses que o acolheram e que receberam dele em troca muito trabalho e realizações de toda a ordem”. “À Dona Weslian, suas filhas Liliane, Jaqueline e Wesliane, aos netos e aos milhões de brasilienses que sempre tiveram muito apreço e respeito ao ex governador meus pêsames, minhas orações e as de Marcia, para que consigam superar esse momento difícil”, afirmou.
O quadro clínico do ex-governador Roriz vinha se agravando dia após dia, desde meados de 2013. Há um ano, em 26 de agosto do ano passado, o político goiano foi submetido à amputação da perna direita, abaixo do joelho, e de dedos do pé esquerdo. Quatro dias depois, voltou a ser hospitalizado no Hospital do Coração do Brasil, na Asa Sul. Apesar de ser um procedimento agressivo, o ex-governador nem sequer percebeu que havia perdido parte do corpo, segundo Dona Weslian.
A decisão pela amputação foi tomada pela equipe médica que cuida de Roriz, para evitar necrose dos membros com o comprometimento da circulação dele, que tem diabetes. Em junho do mesmo ano, o ex-governador passou por um procedimento para melhorar a circulação e a saúde dele chegou a melhorar com a implantação de um stent, para desobstruir as artérias.
Em 1º de fevereiro último, o Correio publicou a reportagem que caiu como uma bomba no cenário político local. Um laudo do Instituto de Medicina Legal, da Polícia Civil do DF, ao qual a coluna Eixo Capital teve acesso com exclusividade, apontou que Roriz havia sido diagnosticado com “síndrome demencial, de etiologia mista, Alzheimer e vascular (CID10 F00.2 e F01.09), em estágio grave, com intensa repercussão sobre sua autonomia”. O exame consta de processo criminal em curso na 2ª Vara Criminal de Brasília. Trata-se de um incidente de sanidade mental, realizado para avaliar se o ex-governador tem compreensão da denúncia de corrupção que pesa contra ele. A resposta foi: não.
Doente renal crônico há mais de uma década, Roriz tinha de se submeter a sessões diárias de hemodiálise para filtrar o sangue. Entrou na fila por um transplante de rim em 2013, mas não pôde ser submetido ao procedimento porque não tinha condições físicas para resistir à operação. Em 2015, ele passou mal em casa. Os médicos diagnosticaram uma isquemia cardíaca, o que levou à necessidade de um cateterismo no Hospital do Coração, onde ele ficou internado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Além disso, cinco anos atrás ele fez uma cirurgia para implante de três pontes de safena.

Trajetória

Joaquim Domingos Roriz nasceu em Luziânia (GO), distante 66km da capital federal. Foi governador do Distrito Federal por três mandatos. Ao todo, ficou 14 anos à frente do Palácio do Buriti. Em 1986, venceu a eleição para o cargo de vice-governador de Goiás. Seu primeiro mandato para comandar o DF veio pelas mãos do ex-presidente da República José Sarney em 1988 — à época, a capital não elegia seus gestores, o que ocorreu com a promulgação da Constituição Federal em outubro do mesmo ano.
Roriz integrou o ministério do ex-presidente Fernando Collor de Mello, em 1990. O goiano foi ministro da Agricultura e Reforma Agrária por 14 dias. Renunciou ao cargo para concorrer ao Palácio do Buriti. Ganhou a eleição e chefiou o Executivo local entre 1991 e 1995. Ficou conhecido pela política habitacional de distribuição de lotes em áreas públicas, criando cidades como Ceilândia, Samambaia, Recanto das Emas, entre outras.
O terceiro mandato de Roriz começou em 1999 e durou até março de 2006, quando renunciou em favor de sua vice, Maria de Lourdes Abadia, para lançar-se candidato ao Senado. Sua sucessora disputou a reeleição para permanecer no cargo até 2010, mas foi derrotada no primeiro turno por José Roberto Arruda. Roriz renunciou ao cargo em julho do mesmo ano, quando foi descoberto um esquema de propina envolvendo o banco BR, escapando do processo de cassação do mandato que poderia deixar 8 anos inelegível.
Antes de iniciar a vida política em Brasília, Roriz também foi eleito deputado estadual (1978), deputado federal (1982) e vice-governador do estado de Goiás (1986). Além disso, foi prefeito de Goiânia, como interventor, entre 1987 e 1988. O político deixa a mulher Weslian Roriz e três filhas, Wesliane, Liliane e Jaqueline Roriz. Esposa e filhas também fazem parte do cenário político do DF.

Aclamado e odiado

Roriz começou a vida política no Partido dos Trabalhadores (PT) em Goiás, mas a admiração pela sigla, onde só havia pessoas “com ódio no coração”, segundo ele,  virou passado renegado. Aclamado pelo eleitorado, principalmente o das regiões mais carentes do DF, Roriz fazia discursos carregados de emoção, choro e apelos de forma humilde. Abraços, beijos e cochichos ao pé do ouvido de eleitores eram o estilo do ex-governador no corpo-a-corpo nas ruas.

Acumulou vitórias em mais de 30 anos de carreira política, com tropeços no português e o visível desconforto em cerimônias oficiais com autoridades. O governo dele no DF foi marcado pela remoção de favelas para assentamentos, conquistando seu eleitorado com a doação de lotes. As políticas direcionadas ao eleitor carente fazia com que a popularidade o colocassem sempre na liderança de pesquisas de intenção de voto.
No meio político, ele também ficou marcado pelo destempero e pelo envolvimento em muitas polêmicas. Foi alvo de inquéritos no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Precisou se defender de denúncias de racismo, improbidade administrativa, falsidade ideológica e crimes contra a fé pública. Em 1994, diante dos eleitores, xingou a tucana Maria de Lourdes Abadia enquanto fazia campanha para o aliado Valmir Campelo. A ofensa fez com que o PSDB migrasse o apoio para o PT, no segundo turno, em 1994, ajudando Cristovam Buarque (PT) a se eleger governador.
Ao assumir o terceiro mandato como governador do DF, em 1999, Roriz e equipe dele foram alvo de escândalos, com denúncias como as de desvios de verba do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), compra de merenda superfaturada e acordos de campanha com o bicheiro Manoel Dorso.

Relembre a trajetória da vida política de Joaquim Roriz

1962 a 1965: foi vereador de Luziânia, cidade no Entorno do DF
1979 a 1982: exerceu o cargo de deputado estadual de Goiás
1983 a 1986: exerceu o cargo de deputado federal por Goiás
1987: eleito prefeito interventor de Goiânia (GO)
1987 a 1988: foi vice-governador de Goiás
15/3/1990 a 30/3/1990: exerceu cargo de ministro da Agricultura
1988 a 1990: foi governador indicado por José Sarney
1991 a 1994: segundo mandato de governador do DF
1999 a 2002: terceiro mandato de governador do DF
2003 a 2006: quarto mandato de governador do DF
2007: foi eleito senador
2010: candidatou-se ao governo do DF, mas desistiu da candidatura e lançou a mulher Weslian Roriz
2015: recebe o título de Cidadão Honorário de Brasília
FONTE CORREIO BRAZILENSE
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