Talento na natação, jovem atleta de Samambaia precisa de apoio para ir a Brasileiro


SAM GÁS
Quando matricularam o filho na natação em 2013, os pais de Walisson dos Santos, 15 anos, nunca imaginavam que um dia veriam o filho representar o Distrito Federal em uma competição nacional. Moradores de Samambaia Norte, a babá Solange dos Santos, 31, e o desempregado Paulo Gonçalves, 42, não têm condições de colocar o filho em uma escolinha particular. Mas queriam que ele praticasse alguma atividade física.
Foi então que veio a oportunidade em um espaço público, gratuito, aberto à comunidade. Walisson entrou no Centro Olímpico e Paralímpico de Samambaia em 2012, na modalidade futebol de areia. No ano seguinte, conseguiu vaga na natação e se apaixonou pelo esporte.
Em 2015, foi incentivado a participar da seletiva do Programa Futuro Campeão e o técnico, Agnaldo Amorim, membro da equipe pedagógica da Fundação Assis Chateaubriand, detectou o potencial do garoto. A decisão de voltar os esforços para se tornar um atleta veio depois de um puxão de orelha do técnico, ainda no início dos treinamentos.
Agnaldo conta que o aluno era tímido e rebelde, não estava acostumado com tanta disciplina. Mas, quando perguntado pelo treinador se realmente queria investir num futuro brilhante na natação, Walisson topou o desafio, pediu ajuda e começou a tornar o sonho realidade.
Desde então, tem à disposição todos os equipamentos, materiais e apoio técnico necessários para treinar e se desenvolver no esporte. Estuda pela manhã, treina forte todas as tardes e estuda à noite. Uma rotina puxada, mas prazerosa.
“A natação representa muita coisa para mim. É bom estar com a cabeça ocupada, não pensar besteira, me sinto muito feliz. Eu não tinha muita esperança de chegar tão longe, até que um colega do Futuro Campeão me incentivou a melhorar meu tempo e acabei conseguindo atingir o índice para o Brasileiro.
Nem acreditei quando anunciaram o meu nome”, lembra o atleta. Em 2017, foi destaque e conseguiu todos os ouros possíveis em sua categoria no Festival de Escolas de Natação (FEN) 2017, organizado pela Federação dos Desportos Aquáticos do DF.
Este ano, Walisson alcançou o índice e foi convocado para integrar a Seleção do Distrito Federal no Troféu Chico Piscina 2018, um campeonato interfederativo que vai reunir atletas de todo o Brasil, América do Sul e Europa em setembro, na cidade de Mococa (SP).
Como já havia perdido a oportunidade de uma competição no Rio de Janeiro por falta de condições financeiras, a família de Walisson pegou um empréstimo de R$ 750 para arcar com os custos da viagem para o interior de São Paulo.
Campanha
Só que agora a família não tem como garantir a viagem de dezembro para o Campeonato Brasileiro Juvenil – Troféu Carlos Campos Sobrinho, em Porto Alegre (RS) e precisa de apoio. Ele foi classificado para nadar 100m e 200m borboleta. E vai representar o DF ao lado de outros dois colegas do Futuro Campeão: Bruno Medeiros, 15, e Gustavo Crespo, 14.
A ideia de iniciar uma campanha de sensibilização nas redes sociais veio de uma professora de Walisson, do CEF 407 de Samambaia. “Os professores ficaram comovidos e resolveram apoiar para que ele não deixe de participar e não desmotive o sonho dele. A gente quer vê-lo em destaque, fazendo o melhor para conquistar o objetivo dele na natação”, comenta a mãe, Solange.
Segundo ela, a ideia é conseguir um patrocínio ou ajuda da comunidade para arrecadar cerca de R$ 1mil, que vão cobrir custos com hospedagem, alimentação e transporte na cidade. O deslocamento para Porto Alegre está garantido pelo programa Compete Brasília, da Secretaria de Esporte, Turismo e Lazer do DF.
Dificuldade para conseguir patrocínio
O técnico Agnaldo Amorim explica que o momento de Walisson e dos colegas do Futuro Campeão é de desenvolvimento.
“Nosso trabalho no Centro Olímpico e Paralímpico mostra que é possível desenvolver talentos também para quem não é rico. Hoje a gente tenta buscam um patrocínio para ajudar um menino de periferia a tentar chegar a um lugar mais alto. Sabemos que o patrocinador quer números, só que nossos atletas ainda não estão em uma fase de ter grande retorno em números. Hoje temos em torno de 50 a 60 atletas competindo em cada prova nesses campeonatos. Nossos atletas conseguem ficar entre 20º e 30º lugar”, observa.
O treinador observa que as duas atletas do DF que vão representar a natação do Brasil nos Jogos Olímpicos de Tóquio em 2020 ficaram entre as 10 primeiras colocadas no campeonato brasileiro. E contam com bolsa atleta mensal de R$ 2,5mil, além de pontos no ranking nacional.
“Nossos atletas estão a caminho disso. Até chegar lá, tem todo um processo que deve ser feito e precisa de apoio. Se não tiver apoio para essas famílias carentes, não tem como eles evoluírem”, ressalta Agnaldo.
Na avaliação dele, quando um jovem atleta participa de um campeonato dessa magnitude, volta renovado, motivado a treinar cada vez mais e se esforçar para que chegue a níveis mais elevados na natação. “Mas ele precisa passar por essa experiência. É preciso investimento nessa etapa do esporte.”
Como ajudar
A família de Walisson dos Santos está recebendo contribuições via depósito ou transferência bancária para arcar com os custos da viagem de Porto Alegre. A ajuda pode vir de instituições com interesse em patrocínio ou pessoas físicas da comunidade.
Banco do Brasil
Agência 1507-5 Cc 9644-X
Paulo Gonçalves de Oliveira Contato: (61) 98607-4519

Fonte Fundação Assis Chateubriand/D.A Press
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