Polícia Militar registra mais de 700 roubos a ônibus em Samambaia

Reincidentes e com a certeza de que voltarão para as ruas. Essas são as principais características de criminosos que assaltam os passageiros do transporte coletivo no Distrito Federal. Ontem, dois ladrões foram presos pela Polícia Militar após agirem em um ônibus da empresa São José na QR 421 de Samambaia. Na região administrativa, o número de roubos a coletivo aumentou 24% de 2016 para 2017.

Arrastão nas paradas
Os moradores da região administrativa denunciam que os arrastões em paradas de ônibus também aumentaram. O autônomo Gildo Inácio dos Santos, 43 anos, precisa estar cedo no Plano Piloto para trabalhar, por isso está no ponto nas primeiras horas do dia. “Tive que fugir de um assalto. Eram 5h30 e chegaram uns cinco homens de uma vez. Assaltaram um grupo de jovens que estavam indo para a escola, e deu tempo de eu correr”, lembra.
O autônomo tem um filho de 14 anos e o ensina a evitar os assaltos. “Sempre falo para ele não usar o celular no ônibus, mas sei que não resolve”. O estudante Wallace Matias confessa que tem o costume de ouvir música no telefone enquanto está no transporte, mas tenta esconder o smartphone. “Coloco na cintura e não na mochila. Se um dia for assaltado, entrego. Minha vida vale mais”, admite. Pai e filho contam que na família pelo menos três pessoas já foram roubadas dentro dos ônibus.
O estudante Gilvan Oliveira Trindade, 23, aponta o mesmo problema: “É diário. Sempre escuto um parente, um vizinho, dizer que foi assaltado na parada”. Ele acrescenta que Samambaia como um todo enfrenta problemas de segurança. “Não tem lugar mais. É na rua, no comércio, no ônibus. Não adianta a gente tentar escapar, os bandidos estão em todos os cantos”, critica. O estudante aponta que já sofreu cinco tentativas de assalto, sendo duas com arma de fogo.
Versão oficial
De acordo com o porta-voz da Polícia Militar, major Michello Bueno, a corporação tem encontrado duas dificuldades em Samambaia: “a denúncia e a reincidência. Por conta da reincidência, as pessoas ficam com medo de denunciar”, resume. “A PM tem feito muitas prisões e apreensões de maiores e menores de idade na região. Na maioria dos casos, os criminosos moram próximo aos locais dos crimes e até conhecem as vítimas. Porém, as vítimas não denunciam nem chamam a PM por medo”, conclui o militar.
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