Instituição de Samambaia acolhe mulheres e oferece opções que as façam mudar de ideia

SAM GÁS
Uma associação sediada em Samambaia tenta tirar da cabeça das mulheres a intenção de abortar. A entidade pró-vida é contra o abortamento em qualquer hipótese e busca convencer que há alternativas. A Santos Inocentes acolhe cerca de 300 gestantes por ano e estima que mais de 90% delas decidem manter a gestação e ficar com o bebê. “Estamos tratando de vida, não importa como ela foi concebida. A criança não tem culpa da violência”, diz o gestor Ari França, 41 anos.
Uma equipe multidisciplinar, formada por psicólogos, pediatras, pedagogos e outros profissionais, acompanha as gestantes que batem à porta, ligam ou mandam e-mail. São ao menos três casos semanais. Muitas vezes, elas chegam acreditando que, ali, conseguirão fazer o aborto ainda que clandestinamente – atualmente, sete estão nessa situação. Ao contrário, quem chega ao local passa por exames, ouve o coração do bebê e é questionada se teria coragem de fazer aquilo.
Mulheres também são “resgatadas” em casa ou em hospitais após tentativas frustradas de aborto. Quando têm conhecimento dos casos motivados por agressões, problemas financeiros, traumas afetivos ou problemas de saúde mental, missionários da entidade chegam até elas, defendem o valor da vida e oferecem acolhimento.
Pela vida
“Nós não direcionamos ninguém para o matadouro”, diz Ari, perguntado sobre o Programa de Interrupção Gestacional Previsto em Lei (PIGL), apresentado e descrito na edição de ontem do Jornal de Brasília.“Isso não vai resolver o problema, apenas criar outro. Existe o direito legal, mas a vida tem que ser superior”, emenda. Ele afirma que não usa palavras doces para falar sobre aborto: “É assassinato”.
Como alternativa, no local são trabalhados vínculos familiares e oferecidos abrigo, encaminhamento para trabalho e creche, além de garantidos os direitos sociais para aquela que decide criar o filho ter condições de manter a escolha. Para quem precisa, também são fornecidas cestas básicas, enxoval e fraldas.
Quem opta por entregar o bebê à adoção tem todo o processo encaminhado à Justiça, mas pode mudar de ideia até o nascimento. Depois, há assistência e acompanhamento psicológico: “Enaltecemos o gesto nobre de deixar a criança viver”, diz o gestor do projeto.
Relação dupla
Rose (nome fictício) é uma sobrevivente. A mãe dela tentou abortar até o sexto mês de gestação, mas não conseguiu. Quando nasceu, a menina foi entregue para os avós, com quem foi criada. Aos 19 anos, Rose engravidou por acidente, foi demitida do trabalho de cuidadora de idosos e recebeu um ultimato do namorado.
“Ele me pediu para abortar. Disse: ‘Ou eu ou a criança’. Eu, que cresci sabendo que minha mãe me rejeitou desde o ventre, não tinha nem o que pensar. Aquilo me doía muito”, conta.
Ela não teve apoio em casa. Pesquisou na internet, achou o amparo da Santos Inocentes e seguiu para Samambaia em março. Sob a barriga imponente de seis meses, cresce Lorenzo. “Vim recomeçar minha vida e estou feliz. Acima de tudo sou um ser humano e vou defender outro. Não vou julgar quem opta por abortar porque não sou ninguém para isso. Sou a favor da vida”, garante. Rose escolheu o bebê, apesar da gravidez indesejada.

FONTE: JORNAL DE BRASÍLIA
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