Ladrões atacam escola do DF e roubam computadores e alimentos

Nem as arrecadações para a festa junina de um colégio infantil de Santa Maria escaparam da ação de bandidos. O Jardim de Infância 116 amanheceu nesta quarta-feira (16) arrombado, revirado e com prejuízo ainda não estimado. Suspeitos levaram computadores, caixas de alimentos e materiais pedagógicos. Eles chegaram a comer lanches de funcionários e a esvaziar um extintor de incêndio. As aulas estão suspensas até a perícia da Polícia Civil, sem prazo definido.
De acordo com a diretora da escola, a região enfrenta problemas rotineiros de segurança. Wilca de Almeida, há sete anos na instituição, conta que há casos constantes de assaltos na entrada do colégio. Ano passado, o carro do pai de um aluno foi roubado e um criminoso conseguiu entrar em uma sala de aula e roubar a bolsa de uma professora no meio da tarde. “Já reforçamos com grade, mas jamais imaginamos que algo assim poderia acontecer dentro da escola”, afirma.
Desta vez, os criminosos arrombaram o portão de entrada de veículos, acessou o painel de energia e desligou as luzes de toda a escola. A suspeita dos funcionários é que o acesso tenha sido feito pela secretaria escolar, onde a janela foi aberta às forças. Dali, há passagem para a sala dos professores. O armário que guarda os pertences dos funcionários foram revirados e as portas das salas de aula, abertas. “É uma grande tristeza para todos nós. A gente zela, faz de tudo para um ambiente bom. Chegar e se deparar com uma coisa dessas é devastador”, lamenta a diretora.
Diante dos prejuízos, um alívio: a impressora recém-comprada com dinheiro arrecadado na última festa junina ficou no meio do caminho. O equipamento, que chega a fazer cinco mil impressões coloridas por dia, foi retirado do local e abandonado no pátio da escola. Para o próximo evento, marcado para nove de junho, o dinheiro terá destino acertado: câmeras de monitoramento para tentar melhorar a questão de segurança.
Reféns do crime
Os 400 alunos, entre quatro e cinco anos, estão sem aula. No portão da instituição, o aviso escrito nas primeiras horas da manhã demonstra indignação, repassada e compartilhada com os pais que, sem saber do ocorrido, levam as crianças para um novo dia letivo. “É frustrante. Ficamos completamente a mercê dos marginais”, lamenta a estudante Luana dos Santos, 30 anos. O filho de seis anos está na última etapa da educação infantil.
“Não há nada que a gente possa fazer. Não vemos patrulhamento, a polícia demora a aparecer quando é acionada. Batalhão Escolar mesmo eu nunca vi por aqui”, reclama. Luana ressalta que, diante da criminalidade, são os pequenos quem perdem por serem impedidos de ir às aulas: “Não há segurança nem dentro da escola”.
A diretora Wilca de Almeida garante que o Batalhão Escolar faz ronda na região, mas raramente estão no local no horário de saída das crianças. À noite, dois vigilantes ficam responsáveis pelo estabelecimento. Nesta madrugada, porém, não perceberam nenhuma movimentação estranha até às 5h, quando se depararam com o furto já efetuado. O caso é investigado pela 33ª Delegacia de Polícia, em Santa Maria. No local e nas redondezas não há câmeras.
Versão oficial
Segundo a Polícia Militar, a corporação realiza o patrulhamento na cidade de Santa Maria e estabelecimentos de ensino, de forma ininterrupta, pelo 26º Batalhão, do Batalhão Escolar e com o apoio unidades especializadas como Patrulhamento Tático Móvel (Patamo), Rotam (Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas) e Polícia Montada de Brasília (RPMon).
A PMDF informou que somente nos primeiros meses deste ano, quase 500 prisões ou apreensões de autores ou suspeitos de crimes foram realizadas, mas foi o primeiro caso na escola em 2018. “No entanto, ressalta-se que cerca de 50% destes presos são soltos e boa parte voltam a delinquir, aumentando o número de reincidentes. A criminalidade não se trata apenas de uma questão policial. Fatores como educação, renda, convívio familiar, legislação e, principalmente, altos índices de reincidência cooperam para que a insegurança aumente”, afirmou a corporação, em nota.
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