Haja lixo para recolher em Samambaia

Lixo na rua é responsabilidade de quem? Do governo que não recolhe ou do morador que descarta em qualquer lugar, sem preocupação alguma? Enquanto você pensa na resposta, fique sabendo que em Samambaia, somente nos primeiros quatro meses do ano, as 3.884 viagens de caminhões com 47 mil toneladas de resíduos recolhidos da cidade não foram suficientes para manter a RA limpa.


Uma volta pela cidade e, à primeira vista, poucos terrenos vazios escapam do acúmulo de entulhos de construção, eletrônicos quebrados, pneus e móveis velhos. Para Wilson Alencar, que mora em Samambaia há 28 anos, a situação preocupa. “Tem lixo em toda parte. É nojento, atrai animais e a cidade fica horrível”, observa. Alencar reconhece, no entanto, que o problema é a falta de conscientização da população: “A administração até tenta, mas sempre tem gente jogando entulho na rua. Falta educação ao povo daqui”.

O que falta também é fiscalização. Uma lei distrital sancionada em abril de 2012 prevê multa para quem jogar lixo na rua. A  tarefa de ficar de olho nos sujões é da Agência de Fiscalização (Agefis), mas o número nem sempre suficiente de funcionários atrapalha a empreitada. Uma única unidade do órgão é responsável por fiscalizar Samambaia, Taguatinga, Ceilândia, Brazlândia e Vicente Pires. Isso quer dizer que são 75 inspetores para fiscalizar uma população de mais de 1,1 milhão de pessoas. O valor da multa pode chegar até R$ 11 mil, dependendo do tipo de lixo descartado em área irregular, da quantidade e do local.
O lixo que tanto incomoda é um problema antigo, porém recorrente, reconhece o administrador da cidade, Claudeci Xavier. Ele garante que a limpeza está na pauta das prioridades: “Os entulhos e qualquer situação que deixe a nossa cidade suja é uma preocupação nossa. Junto com o Serviço de Limpeza Urbana (SLU) queremos trazer para a nossa cidade os Pontos de Entrega Voluntária (PEVs), conhecidos como Ecopontos, para que as pessoas possam descarregar outro tipo de lixo que não seja o doméstico”.
Novo aterro, mais lixo a caminhoMas o lixo na rua não é a única preocupação de quem mora na cidade. O GDF retomou as obras do Aterro Sanitário Oeste, localizado em Samambaia, que estavam paradas desde 2014. A população não vê com bons olhos a construção do espaço, que vai substituir o Lixão da Estrutural. Com 76 hectares, a previsão é que o aterro esteja pronto em 2016, com vida útil estimada em 13 anos e com capacidade de receber 8,1 milhões de toneladas de despejos.
Os moradores estão contra a chegada do aterro. Defendem que cada RA tenha o seu próprio local para receber o lixo que produz. A preocupação dos moradores é com o impacto ao meio ambiente, além da utilização das vias da cidade pelos caminhões de lixo. “Não acreditamos que o governo tenha estrutura para cuidar desse aterro. Se nem a limpeza urbana funciona…”, ressalta o professor de taekwondo William Lima, morador da cidade desde 1989.
Para Edy Carlos Silva, o problema vai além. Segundo o assistente legislativo, como Samambaia é rota dos aviões, os possíveis urubus atraídos pelo aterro colocam em risco as aeronaves. Segundo ele, o Comitê Nacional de Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CNPAA) já encaminhou ofícios ao GDF chamando a atenção para o problema. Mas a Secretaria do Meio Ambiente garante que todos os estudos de impacto ambiental na região foram feitos e que é improvável a presença das aves no local. Explica que todo o lixo orgânico será separado e que caso aves sejam atraídas, as eventualidades serão tratadas pontualmente.
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