“Frango assado”. Seu Francisco Fernandes de Alencar, 102 anos, sabe muito bem o que vai querer quando chegar em casa, mesmo que custe a dizer algumas palavras. A preocupação dele é que a esposa, Sebastiana Coelho de Matos, de 101 anos, também possa desfrutar da comida feita pela filha. “Quem é que não gosta?”, provoca o idoso.
O casal centenário, que estava internado no Hospital Regional de Samambaia há dez dias, finalmente teve alta, nesta quinta-feira (26), e poderá continuar a história de amor no conforto do lar.
A vontade de comer a comida feita em casa foi tanta que o idoso se recusou a tomar o café que o hospital fornece às 10h. No horário do almoço, enquanto ainda aguardava para ir embora, ele também não quis comer. “Essa é a felicidade que eles têm hoje em dia. É a comida, é um banho gostoso em casa. São coisas mínimas, mas que deixam os dois felizes”, afirma a neta Betânia Cordeiro de Alencar, 41 anos, que é cuidadora do casal.
Para sair, seu Francisco se arrumou todo: estava de suéter e boina cinza. Sebastiana foi vestida com um vestido rosa floral – assim como a primavera traz as flores, a roupa dela anunciava a felicidade de ir para casa. Sentimento este que transbordava entre as netas Betânia e a enfermeira Jane Ester Alencar Alves, 42, que fizeram companhia aos avós nesse tempo de internação.
“Estamos felizes e com uma expectativa imensa. Ele ficou tão ansioso que a gente acabou ficando também. Ele perguntava todo dia ‘Quando vão dar a minha liberdade?’”, conta Jane. O casal trocará as camas do hospital pela casa da filha mais nova, em Vicente Pires.
Casal comoveu hospital
No momento da alta, quem assistiu os dois saindo juntos de mãos dadas na cadeira de rodas não segurou as lágrimas. Funcionários e pacientes fizeram questão de presenciar essa cena. O aposentado Carlos Antônio Benício, de 74 anos, está com a esposa internada. “Daqui uns dias, se Deus quiser, vai ser ela quem vai sair”, desabafa.
No momento da alta, quem assistiu os dois saindo juntos de mãos dadas na cadeira de rodas não segurou as lágrimas. Funcionários e pacientes fizeram questão de presenciar essa cena. O aposentado Carlos Antônio Benício, de 74 anos, está com a esposa internada. “Daqui uns dias, se Deus quiser, vai ser ela quem vai sair”, desabafa.
De pouca fala e com o olhar fixo nos centenários, o aposentado diz que espera chegar à mesma idade de seu Francisco. “E vai ser junto da minha esposa”, brinca. “Ver esse casal me deixou muito emocionado”, disse, com lágrimas nos olhos.
“Quando ele viu minha avó, se apaixonou à primeira vista. Ele não teve coragem de chegar até ela, porque dizia que não tinha condições e que ela não o merecia. Mas uma tia da minha avó percebeu e se tornou a ‘cupida’. Incentivou o meu avô a falar com ela”, disse a neta Jane.
O que conquistou Sebastiana foram os olhos azuis de Francisco. Mas seu pai não concordava com o namoro. “Meu bisavô não aceitou. Dizia que minha avó tinha posses e ele, nada. Só que, com a ajuda da tia, eles planejaram uma fuga e se casaram”.
Eles fugiram em 1936 e a primeira parada foi em uma igreja, onde selaram as juras de amor eterno. “Quando meu bisavô descobriu, deserdou minha avó”, afirma Jane. “Voltaram à fazenda em 1961, quando tiveram a última filha, mas meu bisavô já tinha morrido”, completa. Aqui na capital, construíram uma grande família: são 12 filhos, aproximadamente 50 netos, 40 bisnetos e oito tataranetos.
Antes de terminar sua passagem na Terra, Francisco ainda tem um último pedido: “Deus, não me leva sem a Sebastiana”, diz o idoso em suas orações. “Não pensamos como vai ficar depois que eles se forem, porque são nosso ponto de referência. Mas, pelo visto, Deus vai realizar esse pedido dele, e eles vão embora juntos”, conclui a neta Jane.


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