Em um ano de racionamento, brasilienses pouparam 12% de água, diz Caesb


O racionamento de água implantado no Distrito Federal há mais de um ano mudou os hábitos de moradores. Afetados com a medida, brasilienses adotaram novos comportamentos frente ao uso consciente do recurso hídrico, como o aproveitamento da água da chuva para regar plantas e lavar parte da garagem. O resultado refletiu em economia. Segundo dados da Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb), até agora a população conseguiu poupar, em média, 12% do uso da água.
O percentual é considerado significativo pelo presidente da autarquia, Maurício Luduvice. “Captávamos em torno de 4,8 mil litros por segundo (L/s) do reservatório do Descoberto e hoje estamos com uma média de 3.250 L/s”, explicou.    A economia e a entrada de água nova no sistema permitiu que o brasiliense dependesse menos do reservatório do Descoberto e de Santa Maria. “Antes a população usava 65% do volume do Descoberto e agora utiliza 52%. No de Santa Maria, a dependência saiu de 21% para menos de 2%”, destacou.

Como resultado, as barragens conseguiram recuperar a perda de recurso hídrico. Em 21 de março, na véspera do Dia Mundial da Água, comemorado no dia 22 do mês, o reservatório do Descoberto registrou 69,5% do volume útil enquanto o de Santa Maria ficou em 46,8%.  “Estamos otimistas com as chuvas. É interessante dizer que nos primeiros 15 dias de março as chuvas têm sido bem generosas com o reservatório do Descoberto”, ressaltou Luduvice.
Por causa dos índices, o governo cogita até mesmo acabar com o racionamento ainda este ano. “Estamos trabalhando para isso. Vamos manter o racionamento pelo tempo necessário. No momento em que tivermos certeza, tanto a Caesb quanto a Adasa possuem interesse em acabar com o racionamento”, afirmou o presidente da autarquia.
No mês do Dia Mundial da Água, Brasília recebeu dois grandes eventos que discutem o futuro do recurso. O 8º Fórum Mundial da Água começou em 17 de março e vai até sexta-feira (22/3). Já o Fórum Alternativo Mundial da Água teve a abertura em 19 de março e dura até quinta-feira (22/3).  “Essa consciência de que a água é um recurso finito e que precisa ser preservada é fundamental e deve ser incorporada não apenas na nossa geração, mas também nas futuras” ressaltou Luduvice.
Como lição do racionamento, ele destacou que importante desenvolver a ideia do uso e ocupação disciplinada do solo e fazer os investimentos necessários em obras de infraestrutura, como saneamento, abastecimento público de água e esgoto sanitário. “Nós precisamos fazer essas obras de uma forma planejada e no tempo certo”, afirmou.
Exemplo
Em meio ao racionamento, alguns moradores adotam métodos para a economia de água. É o caso da religiosa das Irmãs da Providência de Gap, irmã Nildes Schiavon, 88 anos. Em casa, ela coloca baldes na calha para reutilizar a água da chuva. Aproveita para limpar o quintal, regar as plantas e lavar panos de uso doméstico e contou que percebe uma diferença na hora de pagar a conta.
Ela explicou que se sentiu motivada em reduzir o consumo ao perceber o comportamento de outras comunidades. “Eu morei com os índios ianomâmis e eles defendem a natureza enquanto nós, por causa do poder e da ganância, estamos destruindo o que é nosso. A natureza grita”, reforçou a irmã.
A dona de casa Izabel Ferreira, 82 anos, também reutiliza a água da chuva para lavar as roupas, a casa, o quintal e aguar as plantas. “A água do planeta está acabando.  Adotei esse método também pela economia na conta de água”,contou. Ela considerou importante o racionamento. “Tem muitas pessoas que gastam bastante água e não se importam com isso, mas, muitas delas, estão aprendendo a economizar também”, ressaltou Izabel.
Na visão do professor do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade de Brasília (UnB), Sérgio Koide, o racionamento tem uma finalidade didática por lembrar a população da importância da água.” Ele foi muito eficaz e todos se adaptaram a situação criando armazenamentos de água”, explicou.
Ele esclareceu que uma das medidas mais efetivas foi a tarifa de contingência que aumentou em até 20% a conta de água. “Observa-se uma efetivação dessas medidas na diminuição do consumo per capita de Brasília, permitindo uma certa folga para passarmos aquele período crítico sem chuva e aguardar o período chuvoso”, relatou o professor. Em setembro do ano passado o governo chegou a cogitar a extensão do racionamento para dois dias, porém não foi necessário devido a diminuição do consumo por parte da população.
Preocupação com a seca
Com a proximidade do período de seca, a partir de abril, o estudioso reforçou que os níveis dos reservatórios pode abaixar. Entre as medidas tomadas para tentar utilizar o mínimo possível do reservatório de Santa Maria,  está o uso da água do Bananal e do sistema emergencial do Paranoá. “Quando abril chegar e as chuvas cessarem, devemos avaliar as vazões dos rios e analisar a situação para tomar novas decisões a respeito do que deve ser feito”, afirmou o professor.  
Quanto a conscientização da população, Sérgio Koide ressaltou que esse é um trabalho desde a escola. “Não tenho dúvidas que se oferecermos uma boa educação, desde a infância, iremos formar cidadãos melhores”, ressaltou.
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