Traficantes aliciam motoristas do Uber para transportar drogas no DF


Motoristas do aplicativo Uber no Distrito Federal tornaram-se alvo de traficantes. Eles acionam o serviço para transportar drogas ou fazer deliverypara usuários. Os profissionais são cooptados pelos criminosos, e quantias generosas são oferecidas para que a viagem de risco seja concluída. A Polícia Civil investiga a prática. Um condutor do app foi preso por tráfico na noite de quinta-feira (22/3).


Marcelo*, 35 anos, transporta passageiros por meio de aplicativo há cerca de um ano e meio e já passou por apuros atrás do volante de seu carro. A situação mais complicada ocorreu há três meses, na Rodoferroviária de Brasília. Era por volta de 20h quando o sinal de alerta para passageiros tocou no celular. Ao chegar no local, um homem de meia-idade e bem vestido esperava pelo veículo.
O passageiro pediu para acomodar a mala no bagageiro. “Em seguida, ele foi bem sincero e disse que precisava levar uma mala com drogas até um determinado ponto em Valparaíso, no Entorno do DF, e pediu para eu ficar tranquilo”, contou o motorista.
Água, balinha e boca de fumoJonas*, 50 anos, é oficial aposentado do Exército e trabalha como motorista do Uber para complementar a renda familiar. Morador de São Sebastião e acostumado a dirigir cerca de 10 horas por dia e noite adentro, o profissional recebeu a equipe do Metrópoles para contar algumas de suas histórias.
Em uma delas, foi parar na entrada de uma boca de fumo, em Sobradinho. Há cerca de quatro meses, o motorista foi chamado pelo aplicativo para buscar passageiro no posto Grande Colorado, às margens da rodovia BR-020, próximo a Sobradinho. Dois rapazes entraram no carro, cada um com uma lata de cerveja nas mãos. “Eles eram educados e perguntaram se poderiam beber. Disse que sim, contanto que não sujassem os bancos”, contou.
O endereço de destino era próximo a uma distribuidora de bebidas. Segundo Jonas, várias pessoas circulavam pelo local, algumas aparentando ser moradoras de rua. Havia um beco escuro, onde o movimento era grande. “Eles desceram, compraram drogas e voltaram para o carro. Fiquei com receio de ser assaltado, mas graças a Deus tudo correu bem. Finalizei a viagem após deixar os dois de volta no posto”, lembrou.
Motorista presoEnquanto alguns profissionais são acionados por bandidos, outros motoristas ingressam no mundo do crime. É o caso de Igor Ribeiro Silva, 26 anos. De acordo com investigação da Polícia Civil, ele aproveitou o tempo na Uber para montar uma carteira de clientes e turbinar o negócio paralelo ao de transporte de passageiros: o delivery de drogas.
A clientela de Igor era de alto poder aquisitivo e a droga revendida por ele é considerada uma das mais caras do mundo. Trata-se da cocaína “escama de peixe”, com alto teor de pureza. “Cada porção de 5 gramas vendida por ele chegava a custar R$ 200”, explicou o diretor da Coordenação de Repressão às Drogas (Cord), delegado Luiz Henrique Sampaio.
O motorista alugava um quarto de hotel em Taguatinga, onde usava um cofre de parede para estocar a droga, dinheiro e uma arma. O motorista foi preso na garagem do hotel quando estava na companhia da mulher e se preparava para fazer mais uma entrega de droga. A polícia aprendeu três quilos de cocaína, R$ 31 mil em espécie e uma arma.
O que diz a UberProcurada pela reportagem, a Uber lamentou o fato de profissionais estarem sendo cooptados por traficantes. “Em caso de qualquer tipo de violência ou ameaça, orientamos motoristas e passageiros a contatarem imediatamente as autoridades policiais. É importante também fazer um boletim de ocorrência, assim os órgãos competentes terão ciência do ocorrido e poderão tomar as medidas cabíveis, informou a empresa, por meio de nota.
A assessoria de imprensa do aplicativo disse que, em caso de investigações e processos judiciais, a Uber colabora com as autoridades nos termos da lei. “Nenhuma viagem com a plataforma é anônima, todas são registradas por GPS. Em caso de necessidade, nossa equipe especializada dá suporte, pois sabe quem foi o motorista parceiro e o passageiro, o histórico de ambos e qual o trajeto realizado”, ressaltou. 

FONTE: METROPOLES
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