Samambaia e mais três cidades somam 30%, (608.730) dos votos de mulheres no DF.


A presença feminina deve marcar o pleito de outubro, quando mais de 2 milhões de eleitores vão às urnas na capital. As mulheres são 54% do eleitorado do Distrito Federal, onde há 159.354 mulheres a mais que homens, o suficiente para eleger três deputados federais. Os dados fazem parte de um levantamento do Correio feito com base em informações do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF). Mais que uma amostragem, o perfil de quem vota pauta a campanha dos candidatos. Saber quem são e onde estão os eleitores serve a estrategistas para nortear o discurso, definir o endereço dos comícios e traçar o discurso dos políticos.

O protagonismo das mulheres está cada vez mais consolidado. Em relação ao pleito passado, o eleitorado feminino cresceu 2,3%. Passou de 1.071.231 para 1.096.615 — 25.384 a mais. O número de mulheres em condições de votar no DF ultrapassou a casa do milhão em 2014. Os homens ainda não bateram essa marca. Além disso, o grupo cresceu menos em relação às mulheres. Entre 2014 e 2018, houve o aumento de 1,1% (11 mil pessoas) de eleitores do sexo masculino. Eles eram 926.230 e chegaram a 937.261 aptos a escolhere seus representantes. Assessor de Planejamento do TRE-DF, Marcello Soutto Mayor explica que essa tendência é histórica na capital. “Desde 1988 o eleitorado feminino é predominante no DF”, lembra.
Pesquisadora de gênero e coordenadora do Instituto de Pesquisa Aplicada da Mulher, Tânia Fontenele explica que a demanda de serviços realizados por elas é diferente e isso exige uma adequação no discurso dos candidatos. “Quando a mulher tem filhos, por exemplo, ela quer uma sociedade melhor com escolas, hospitais, com baixa violência. Há uma preocupação maior com o social e com o futuro”, analisa. Ela emenda. “Não que todas as eleitoras sejam mães, mas aquelas que têm filhos vão se identificar mais com um candidato que fale em escolas de qualidade do com que aqueles que defendem o armamento, por exemplo.”

Mas o que faltaria para mulheres assumirem mais cargos eletivos? Na Câmara Legislativa dos 24 deputados, só cinco são do sexo feminino. Na Câmara dos Deputados, dos oito representantes do DF, apenas uma é mulher. A capital não tem senadora. “O voto masculino veio muito antes que o feminino. Isso persiste na memória social brasileira. O ambiente político ainda é encarado como um lugar para homens. Essa modificação está sendo muito lenta”, pondera a professora Lia Zanotta Machado, do Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília (UnB). “A participação feminina é dificultada pela política partidária. Preenchem o mínimo legal, mas não se aposta nas candidatas, não se investe na campanha. O grande gargalo é nesse apoio como candidata de fato e não como candidaturas laranjas”, completa.

Instrução

Os números mostram que a escolaridade do eleitor no DF é alta. Quase um quarto do eleitorado completou o ensino superior. Aqueles que cursaram a faculdade são 479 mil — 23,5% dos eleitores. O grupo perde só para os 597 mil que têm ensino médio completo — 29,3% do total, pouco menos que os 692 mil votos que conduziram o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) ao Palácio do Buriti no segundo turno das eleições de 2014.

O nível de instrução pode ser ainda maior. É que muitos eleitores não atualizam a escolaridade. “A pessoa faz o título aos 18 anos e ainda está cursando o ensino médio. Depois, não atualiza essa informação. Isso dificulta a amostragem. Os dados no DF foram atualizados entre 2013 e 2014, graças ao cadastramento da biometria. Tinha eleitor com os mesmos dados desde 1988”, detalha. Mais de 18 mil eleitores são analfabetos.

A escolaridade, segundo o professor de ciência política Ricardo Ismael, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), determina o viés das campanhas, sobretudo as majoritárias, como para governador e senador. “O eleitor de alta escolaridade durante muito tempo influenciou os de menor escolaridade. Esse grupo funcionava como formador de opinião. Hoje, isso mudou. As campanhas são montadas para se comunicar diretamente com o eleitor de baixa escolaridade, que, por sua vez, adota critérios para defender interesses próprios e não se deixam influenciar”, explica.

Faixa etária

O adulto entre 26 e 46 anos é a base do eleitorado da capital federal. Juntos eles representam 46,3% dos votos válidos. São mais de 943 mil pessoas. O número é maior que a totalidade de votos recebidos no último pleito pelo senador Antônio Reguffe (sem partido), que garantiu 826 mil. Nas urnas brasilienses, a presença de jovens ainda é pequena. Apenas 28 mil eleitores têm 18 anos — 1,3% do total. Os idosos acima de 65 anos são 164 mil (8%). Deputado federal mais votado no DF em 2014, Alberto Fraga (DEM) recebeu cerca de 155 mil indicações nas urnas.

Professor especialista em campanha eleitoral do Instituto de Ciência Política da UnB, David Verge Fleischer acredita que a faixa etária dos eleitores pode aumentar votos brancos e nulos, além de apostas em candidatos “outsiders”, ou seja, que não pertencem a um grupo determinado. “Por ter uma proporção maior de adultos, essas pessoas têm presenciado mais fatos da política. Há uma tendência de rejeição da classe política em geral. Isso se acentua no brasiliense por conviver com o clima político na cidade”, observa.

Bairrismo faz a diferença

Ceilândia, Planaltina, Samambaia, Gama e Guará concentram 30% (608.730) dos votos no DF. Só em Ceilândia, moram 133.264 mil eleitores. As cinco cidades com a menor quantidade de eleitores são Park Way, Fercal, Jardim Botânico, Candangolândia e Itapoã. Elas reúnem 48.597 mil votos (2,3% dos votantes). O Park Way tem só 954 eleitores.

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