PMs denunciam mau estado de viaturas no DF


Em risco, policiais militares percorrem as ruas do Distrito Federal com problemas mecânicos de viaturas. De pneus desgastados a barulhos estranhos e desconhecidos, não são raros os registros de transtornos provocados por carros do policiamento ostensivo da capital. Neste ano, já teve princípio de incêndio, capotagens e pane. A corporação afirma que os contratos de reparos estão vigentes e fala em rodízio diário para manutenção.
Em janeiro, durante patrulhamento, dois barulhos estranhos do lado dianteiro do motorista chamaram a atenção dos militares. Ao parar a viatura, a equipe verificou que havia um princípio de incêndio na área do motor.
A guarnição usou o extintor de incêndio do veículo e de um ônibus que passava por ali para pôr fim às chamas. Um militar chegou a se ferir após um veículo passar por cima de seu pé durante a ação e o carro oficial teve de ser recolhido e ficou fora de circulação por mais de duas semanas.
Na Estrutural, um grupo de PMs teve de empurrar uma viatura utilizada para fazer o policiamento. O flagrante foi gravado, circulou nas redes sociais e causou revolta. Na época, outros militares acusaram o mau funcionamento dos veículos e um chegou a relatar que uma porta abriu em trânsito.
Problemas
Pneus carecas e em más condições são quase regra, mas os problemas não se limitam a isso. O Jornal de Brasília apurou falhas constantes especialmente em pastilhas de freio, em freios de mão, alinhamento e balanceamento das viaturas. Casos mais evidentes e claros são relatados quase diariamente às equipes de manutenção o que, muitas vezes, seria abafado, relativizado e até ignorado.
Ninguém fala oficialmente. Extraoficialmente, todos os policiais ouvidos pela reportagem em três semanas acusaram medo constante pela dependência das viaturas, mas o temor por represália impediria a divulgação das necessidades de reparo e de negligências.
Vaquinhas para bancar consertos
“Não há manutenção preventiva de fato. Quando consertam, é pela metade ou porque não tem mais jeito”, disparou um policial.
Para minimizarem os riscos considerados iminentes, os militares afirmam que chegam a tirar dinheiro do próprio bolso ou pedir favores para mecânicos e comerciantes das regiões que atuam. “Vaquinha é cultura antiga”, revela uma fonte ouvida pela reportagem e confirmam outros integrantes da corporação.
Para a Associação dos Praças Policiais e bombeiros Militares do Distrito Federal (Aspra), nenhuma das situações descritas é novidade. A única solução, seria trocar as velhas viaturas por novos veículos, acredita o vice-presidente, sargento Manoel Sansão. “Não há condição. Os militares correm riscos nessas viaturas. O que falta é investimento da segurança pública.”
Acidentes
Desde 2012 foram 31 capotamentos envolvendo viaturas, índice considerado dentro da normalidade pela corporação. Em 2015, chegaram a anunciar a retirada desse tipo de veículo de circulação pelo número de acidentes, mas uma comissão manteve o uso dos carros com ajustes como a adequação da calibragem dos pneus e intensificação de treinamento para a direção.
Neste ano, foram pelo menos dois casos. Em 16 de janeiro, dois policiais militares ficaram feridos após uma viatura capotar na BR-020, na entrada de Sobradinho, quando um dos policiais foi arre messado do carro. Onze dias depois, aconteceu em Taguatinga quando a equipe estava em perseguição. Ninguém se feriu gravemente.
Para a corporação, o serviço ostensivo diário pode influenciar nos acidentes e incidentes. “É razoável levar em consideração que, diariamente, os policiais militares realizam acompanhamento de veículos suspeitos e/ou em fuga, o que exige manobras que podem culminar em acidente com dano à viatura policial”, ressalta a polícia, em nota.
Processos
Os processos do Tribunal de Contas do DF que investigam a aquisição das viaturas e as manutenções dentro e fora do período de garantia estão em andamento há mais de três anos. As Pajeros foram compradas em 2012 por R$ 43,9 milhões com base em preços definidos por uma licitação da PMMG.
Segundo a Corte, não houve justificativa para adotar esse tipo de veículo, que não fazia parte da frota anterior. Inspeções técnicas, análises e pareceres foram feitos e falta apenas o relatório do relator do processo para que seja concluído.
A suposta contratação superfaturada de empresa para a prestação de serviços de manutenção corretiva, preventiva e de recuperação também está em análise. Foram identificados valor de contrato acima da licitação vencedora e acréscimos de peças, materiais e serviços não demandado.
Versão Oficial
Segundo a Polícia Militar, todas as cerca de 2 mil viaturas possuem contratos de manutenção vigente. Porém, seria impossível precisar o período em que os veículos ficam fora de circulação e quantas, hoje, estão parados. “Existe um rodízio diário”, explica. Há revisões programadas, como lanternagem e mecânica, e os carros com 180 mil km rodados ou danificados sem condição de uso são destinadas a leilão. Ainda segundo a PMDF, os problemas nas viaturas são verificados no início de cada serviço, quando é lançado na ficha de controle da viatura e entregue na seção de manutenção que analisa cada caso conforme a especificidade.
FONTE: JORNAL DE BRASILIA 
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