Show de Alcione custa R$ 100 mil a mais que na apresentação da posse de Dilma

A cantora Alcione foi estrela da posse do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff (PT) no primeiro dia de janeiro de 2015. O Partido dos Trabalhadores bancou todas as despesas do show da “Marrom”, que custou R$ 200 mil aos cofres da legenda. De volta à capital, a artista comandará o réveillon para os brasilienses. Para a apresentação de 90 minutos a 30 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios, ela receberá R$ 100 mil a mais. Show poderá ser suspenso.
O contrato de prestação de serviços de Alcione foi publicado em 11 de dezembro no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF), pela Secretaria de Cultura. A contratação artística por convite será de R$ 300 mil e, segundo a pasta, inclui passagens, hospedagem e alimentação da cantora e das 22 pessoas que integrarão a equipe. A sambista, com 45 anos de carreira, será uma das estrelas da virada para o último ano da atual gestão de Rodrigo Rollemberg (PSB).
Na época da posse do segundo mandato de Dilma, 600 ônibus saindo de vários estados com militantes e familiares, com almoço incluído, vieram à capital bancados pelo partido. O público final foi maior que o previsto para o réveillon deste ano: 40 mil acompanharam a cerimônia, a festa e os shows, incluindo o de Alcione, que durou pouco mais de uma hora.
Ainda que a inflação oficial acumulada do período seja considerada, o valor ainda é 24% superior. Conforme o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), principal indicador inflacionário, a correção entre janeiro de 2015 e novembro de 2017 seria de 20,7%. Assim, o valor da apresentação sairia em R$ 241,471,06. O Jornal de Brasília não conseguiu contato com a assessoria de imprensa da artista.
Na mira do Tribunal de Contas
A Secretaria de Cultura tinha até terça-feira para prestar esclarecimentos ao Tribunal de Contas do DF sobre a contratação da cantora. O Ministério Público de Contas entrou com representação para que o órgão apurasse a contratação de Alcione após notícias de cachês inferiores em apresentações recentes.
“O valor da contratação, no montante de R$ 300 mil, abriga indícios de violação aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, sobretudo se comparado às recentes contratações realizadas pela artista”, ressaltou, em representação, o procurador Marcos Felipe Pinheiro Lima.
Além disso, o titular da 4ª Procuradoria do MPC apontou que valores superiores ao que será pago à artista datam de 2011, no Rio de Janeiro, ou englobam a contratações de outros artistas. Acolhendo a representação, a presidente do TCDF Anilcéia Machado concedeu, em decisão liminar, o prazo de cinco dias corridos para que a pasta se manifeste.
Como três dos cinco dias caíram no fim de semana e no feriado de Natal, o TCDF pode receber um posicionamento da pasta mesmo após o prazo. É certo, porém, que amanhã, último dia útil antes da apresentação, o órgão se reúna para dar prosseguimento ao caso ainda que a Secult não responda. Assim, o show pode ser suspenso.
Atrações locais saem hoje
Será divulgada hoje a lista definitiva de artistas locais da festividade da virada de ano. Serão três artistas, bandas ou coletivos que se apresentarão no show de ano-novo na Esplanada via chamamento público. Foram recebidas e analisadas 51 propostas. Cada artista local receberá cachês de R$ 20 mil. Mas o edital de chamamento também está aberto para seleção de um DJ, um VJ e dois apresentadores, totalizando investimento de R$ 74,5 mil.
FONTE: JORNAL DE BRASÍLIA
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