Falta d’água compromete aulas nas escolas públicas do DF

Os alunos de 357 escolas públicas começarão o ano letivo com uma dificuldade extra. Abastecidas pela Barragem do Descoberto, elas são afetadas pelo racionamento inédito de água que atinge parte do DF. Juntas, as unidades representam mais da metade das instituições de ensino da capital. Elas têm caixa d’água, mas os reservatórios não garantem abastecimento até o retorno total da água, que pode levar dois dias. Até agora, não há um plano que assegure o fornecimento.

“A maior preocupação do ano é o racionamento, que pode prejudicar mais o ano letivo do que uma greve de professores”, revela Luis Cláudio Megiorin, presidente da Associação de Pais e Alunos das Instituições de Ensino do DF. Ele lembra que mesmo as escolas que têm reservatórios podem ter problemas, já que mal podem durar um dia. Com a demora para normalizar o abastecimento, a interferência pode percorrer dias.
Vilmara Pereira do Carmo, diretora do Sindicato dos Professores (Sinpro), conta que cada instituição tem autonomia para determinar o que fazer em caso de falta de água, seja liberação dos estudantes ou horários compactados. “Há escolas que não têm caixa d’água nem poço artesiano. A água não é apenas para consumo dos alunos, que podem levar garrafa. É necessária para fazer comida, lavar banheiro, manter a escola limpa”, ressalta.
Rosilene Corrêa, também diretora da entidade, lembra que as estruturas das escolas têm problemas. “Ter caixa d’água deveria ser medida básica. Em casa é um transtorno, mas dá para administrar porque o número de pessoas é menor. Em uma escola há mil alunos que precisam estudar em um local limpo, que tenha alimentação. Tudo depende de água”, ressalta.
Um problema, diz, é que não se sabe por quanto tempo o racionamento vai persistir. “Coloca todos em risco porque vai gerar falta de higiene, risco de contaminação, proliferação de bichos”, completa.
Prejuízo na rotina dos estudantes
No plano de rodízio, a Caesb garantiu o abastecimento de unidades hospitalares, mas deixou as escolas de lado. Para a dona de casa Gabriela Lima Botelho, 28 anos, isso foi um erro. “Não podem liberar os alunos mais cedo ou suspender as aulas porque pode prejudica o andamento. O ano letivo já começa tarde, termina tarde e ainda pode ter greves”, reclama a mãe de Lorrany, 10 anos, que estudará no CEF 14 de Taguatinga.
Nas creches, os banhos podem ser suspensos. É o que diz Deise Moisés, presidente do Conselho das Entidades de Promoção e Assistência Social (Cepas), que mantém 82 unidades conveniadas com o GDF: “A solução vai ser economizar tanto no dia quanto no seguinte, quando a água ainda não voltou completamente. Vamos garantir alimentação e limpeza e deixar o banho para o responsável dar em casa”, prevê.
Por enquanto, a Educação aposta em medidas tomadas individualmente nas escolas para diminuir o impacto. Subsecretário de Planejamento, Avaliação e Acompanhamento Educacional da pasta, Fábio Pereira de Sousa explica que, além do incentivo ao uso de garrafa de água, o intervalo pode ser reduzido para diminuir desgaste e consumo, e as aulas de Educação Física focando na teoria.
“Se necessário, poderemos reduzir tempo do aluno na escola porque isso diminui também o número de refeições e uso do banheiro”, explicou. Tudo isso, porém, só poderá ser avaliado com o início do ano letivo. O que ele garante é que há compromisso em economizar e conscientizar o aluno.
FONTE: JORNAL DE BRASILIA

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