Expansão de Samambaia: Projeto de Núbia Santana e realizado há mais de 1 ano

Projeto Nota 10 e realizado na Quadra 431 de Samambaia Norte


Ex-miss, hoje documentarista já com três trabalhos rodados – o mais recente é Pedra do Mal, sobre a realidade do crack –, a pernambucana Núbia Santana, 29 anos, explica de forma simples e direta sua opção por contar no cinema histórias de gente em situação de vulnerabilidade: “Eu sei o que é sofrer de fome e falta de oportunidade e não desejo isso a ninguém”. De fato, a própria trajetória de Núbia daria um filme. Nascida em um sítio no município de Iguaracy, a 350 quilômetros de Recife, em uma família modesta, ela é a quarta de oito filhos. Muitas vezes, a comida na mesa dos Santana era apenas um prato de feijão puro para cada criança. Mas houve ocasiões em que tiveram de recorrer a folhas de umbuzeiro, árvore típica do sertão, com sal para tapear o estômago. 

No dia a dia de tantas privações, os pais depositavam na menina estudiosa, que enfrentava mais de 15 quilômetros de caminhada diária para chegar à escola, as esperanças de mudança. Aos 7 anos, Núbia ainda dava duro de madrugada em uma carvoaria. Era trabalho pesado, que realizava, de igual para igual, ao lado de marmanjos. Aos 17, tomou uma atitude drástica. Às escondidas, vendeu as poucas galinhas que a família tinha e, com 20 reais arrecadados no bolso, partiu para tentar a sorte na capital do seu estado. 

Na cidade grande, trabalhou como empregada doméstica e, sonhando mais alto, se inscreveu em concursos de beleza. Em um, conheceu um empresário do ramo. Correu atrás dele, implorando ajuda. Conseguiu que apostasse nela e virou a Miss Pernambuco 1994. “Ele me arranjou uma professora de etiqueta e aulas para aprender a desfilar. Fiquei mais confiante”, conta a morena de olhos azuis. A faixa e a coroa lhe trouxeram chances inimagináveis: ela viajou o Brasil, ampliou hori-zontes, foi apresentada a muitas pessoas. Voltou para casa cheia de presentes para a família: colchões, panelas, até fogão. “Minha mãe desmaiou; meus irmãos choraram”.

Com os contatos, arrumou emprego em um órgão público e foi morar em Brasília. Na nova fase, decidiu fazer faculdade de artes cênicas e ainda se tornou documentarista para dar voz aos excluídos. Também fundou a ONG Projeto Nota 10, que promove oficinas de teatro, percussão e atividades audiovisuais para adolescentes autores de infrações graves. “Eles têm poucas chances no mercado de trabalho e poderiam voltar ao crime para sobreviver”, diz. “O que falta no mundo é essa outra porta, ou seja, oportunidade. E é o que quero dar”. 

Foi graças à ONG que Núbia constatou o poder de destruição que o crack exerce tanto sobre o usuário quanto sobre a família. Impressionada, quis retratar o universo da droga em seu terceiro documentário. O filme foi exibido no mês passado em sessão especial no auditório do Ministério da Justiça, com a presença do dono da pasta. Ela sente que tem cumprido seu objetivo: “Todos precisam se conscientizar da realidade para querer e poder ajudar a mudá-la”.
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