Brasília pode parar nos próximos dias em greve

O Distrito Federal pode parar nos próximos meses. Já começaram a pipocar anúncios e ameaças de greves por categorias que mantêm serviços básicos. Além da paralisação da Companhia de Abastecimento (Caesb), que não tem prazo para terminar, rodoviários e metroviários prometem cruzar os braços caso os pleitos não sejam atendidos ainda em junho. Saúde, Educação e Segurança não afastam a possibilidade diante de problemas de diálogo com o GDF.

A Caesb segue intensificando o movimento que já dura quase um mês e mobiliza 70% dos trabalhadores. No último episódio, quatro operadores da Estação de Tratamento de Esgotos de Sobradinho abandonaram os postos de trabalho, causando, segundo a empresa, riscos de extravasamentos, transbordamentos, descontrole do tratamento e riscos de quebra de equipamentos.
O sindicato da categoria exige reajuste de 10% e redução da carga horária de oito para seis horas, sem redução de salários. Recusa contraproposta de 2,5% de reajuste e abono de R$ 3,8 milhões. De acordo com a companhia, as medidas administrativas cabíveis serão tomadas e a Justiça informada sobre a “abusividade do movimento”.
Transporte
Os mais de 600 mil passageiros do transporte público devem enfrentar problemas nos próximos dias porque ônibus e trens podem deixar de circular. Os metroviários já anunciaram greve a partir da próxima terça-feira pelo reajuste salarial e convocação de concursados. Haverá reunião entre o Sindicato dos Metroviários (Sindmetrô) e o governo na segunda-feira.
Enquanto isso, o Sindicato dos Rodoviários se mobiliza para uma assembleia com indicativo de greve. “Poderá ter greve ainda neste mês”, avisa Jorge Farias, presidente da entidade. Na semana passada, houve quatro paralisações.
Professores
Sete meses após o fim da última greve dos professores, a categoria continua insatisfeita. “As coisas não estão bem e as reuniões com o GDF acontecem muito lentamente”, afirma Rosilene Corrêa, diretora do Sindicato dos Professores (Sinpro). De acordo com ela, há oito meses se espera pelo reajuste salarial e há um ano pelo aumento do auxílio alimentação. Além disso, professores que se aposentaram continuam sem receber as pecúnias e o valor referente ao Iprev.
No próximo dia 21, a categoria se reunirá em assembleia. “Será o momento de avaliação. Hoje não há indicativo de greve, mas não afastamos a possibilidade. Se o governo continuar com essa postura, seremos duros”, avisa.
Hospitais, segurança pública e UnB
Nos hospitais, o pleito ainda é o reajuste. “Enquanto houver sol, haverá luta”, avisa Marli Rodrigues, titular do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde (Sindsaúde). Ela diz que a categoria está se preparando para um movimento grevista. “Queremos receber reajustes salariais, o cumprimento das leis e que o governo respeite nossa categoria. Nossa greve está marcada: outubro não será rosa, será negro”, diz a sindicalista.
Já Jorge Viana, presidente do Sindicato dos Auxiliares e Técnicos em Enfermagem (Sindate), prefere ser cauteloso: “O governador nos garantiu que haverá o pagamento de reajuste. Nós temos que acreditar, mas estamos no fundo do poço das condições de trabalho”. A postura é parecida com a dos médicos, que ainda não preveem pausas. “O reajuste anunciado em setembro do ano passado ainda não foi pago. Tememos que o deste ano também não”, diz Gutemberg Fialho, presidente do sindicato da categoria.
Polícia pede socorro
A Polícia Civil diz estar estacionada com os pleitos. “Temos problemas de estrutura nas delegacias, de equipamentos, as armas têm apresentado falhas, não tem munição suficiente para treinamentos, nossas perdas salariais já chegam a 47%, estamos trabalhando com 50% do efetivo. Precisamos de atenção”, diz o presidente do sindicato da categoria, Rodrigo Franco.
De acordo com ele, o governo não atende aos pedidos de reunião que se estendem há três semanas. “Vamos cobrar uma série de pautas. Esse primeiro momento é para demonstrar a insatisfação com o governo, que tem fechado as portas para a categoria. A gente procura o diálogo primeiro, mas, quando não encontra respostas, busca alternativas mais rigorosas”, explica.

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