Jovens assassinados no Dia das Mães

O Dia das Mães não poderia ser pior para uma moradora da Vila São José, em São Sebastião. Ela viu a filha de 15 anos morrer em seus braços após ser baleada. Os disparos foram feitos próximo a uma festa onde a adolescente estava e tinham como alvo um jovem de 23 anos. Conhecido pelos moradores e pela polícia por uma extensa ficha criminal, o rapaz também morreu.

"Ela estava no lugar errado, na hora errada e com as pessoas erradas" desabafou a tia da vítima, monitora escolar de 29 anos, que recebeu o Jornal de Brasília e pediu para que nenhum nome fosse exposto. Ela descreveu a jovem como carinhosa e brincalhona, que trabalhava na escola da família com muito apego às crianças. O colégio,    que também era sua residência, amanheceu com uma placa de luto e visitas emocionadas de conhecidos. 
“Chegou atirando”
Na noite de sábado, ela saiu escondida de casa rumo a uma festa no residencial Morro da Cruz, quilômetros distante de sua casa, onde o chão é de terra batida e a poeira, constante.  "As amigas dela contam que   um grupo grande saía   quando um carro chegou atirando contra o homem. Todos   correram. Teve quem pulou no mato. Elas nem viram direito o que aconteceu" contou a tia, que guarda com carinho as últimas fotos  da sobrinha sorridente. A jovem buscava um estágio para crescer na vida. Seu sonho era fazer faculdade. 
As amigas foram para a casa da adolescente, que levou um tiro na virilha, mas teria se negado a ir ao hospital. "Como tinha saído sem avisar, estava com medo. O ferimento não sangrou, então não perceberam a gravidade, mas ela começou a passar muito mal deitada na cama, como se agonizasse. A mãe chegou a colocá-la no carro para levar ao hospital, mas não deu tempo. Ela desmaiou e morreu ali", descreveu, emocionada, a monitora escolar, que recebeu a ligação com a notícia por volta das 5h. "Desespero é a palavra mais próxima, mas bem pequena perto do sentimento".

“Ela não merecia isso”
As balas tinham direção certa, mas  vitimaram uma pessoa inocente. "A vida é muito traiçoeira e a violência está muito grande. A gente pede para Deus confortar a mãe, que está sofrendo muito. Eu sei do que acontecia aqui  com a gente, a pessoa incrível que ela era. O que aconteceu lá fora eu não sei", disse a tia da jovem. 
Para ela, é uma situação complicada ter filhos diante de tantos problemas de segurança. "A pessoa (que atirou) não está nem aí para a vida de ninguém. É muita maldade. Ela não merecia isso", lamentou, sem conseguir segurar o choro. 
POSSÍVEL ACERTO DE CONTAS 
Jefferson de Souza Fernandes, a outra vítima, era o alvo dos disparos. Segundo informações da Polícia Civil, seu nome estava incluído em diversas ocorrências. Ele respondia por casos de agressões, injúrias, ameaças, lesões, disparos de arma de fogo e porte ilegal de arma, além de diversas ocorrências relacionadas à Lei Maria da Penha e pelo menos dois inquéritos policiais instaurados na 30ª Delegacia de Polícia Civil (São Sebastião), que também investiga o caso da madrugada de ontem. 
"São Sebastião, hoje, não sai das páginas policiais", lamentou o autônomo Célio de Castro, de 39 anos. Há mais de duas décadas como morador da cidade, ele afirma, sem titubear, que a realidade atual tem o pior cenário que já acompanhou.
"Não tem um bairro seguro. A cidade está toda cheia de violência", disse. Apesar de a polícia estar sempre nas ruas, "a segurança pública não dá conta de tanta bandidagem" causada, segundo ele, por excesso de drogas que circulam na região. 

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